Na primeira reunião ministerial do ano e última com a atual equipe de ministério, o presidente Fernando Henrique Cardoso despediu-se dos pelo menos oito colaboradores que irão concorrer às eleições de outubro e fez um balaço positivo dos três anos e meio do governo. ‘‘Aquilo que o governo se propôs, no início deste mandato, foi feito’’, avisou o presidente, reconhecendo, no entanto, que talvez não tenha sido feito tudo o que se desejava. ‘‘Talvez não tudo, talvez não com a rapidez que muitos e o próprio governo desejavam, talvez não como queríamos, mas muito foi feito e sobretudo o governo mostrou que tem um rumo’’, afirmou o presidente, na abertura da reunião, que foi realizada na Granja do Torto, em Brasília, e durou pouco menos de quatro horas.
O principal assunto da reunião ministerial foi o desemprego, que o presidente Fernando Henrique e sua equipe temem que possa prejudicar a sua reeleição. Para mostrar a disposição do governo de eliminar esse principal mal que atinge o País, de acordo com pesquisas feitas junto à população, o porta-voz do Planalto anunciou a criação de uma ‘‘força-tarefa’’ para encontrar meios de reduzir o desemprego. ‘‘O governo tem de chegar ao desempregado’’, conclamou o presidente.
O relato da reunião foi feito pelo porta-voz do Planalto, embaixador Sérgio Amaral. Além de agradecer aos ministros que deixam o governo, o presidente fez questão de elogiar, mais uma vez, a atuação do Congresso durante esta legislatura, que ‘‘ajudou muito’’ o Planalto. ‘‘A relação de leis aprovadas é espantosa’’, comemorou o presidente, mencionando, em seguida, vários projetos aprovados que vão, na sua opinião, ‘‘transformar o País’’. Como exemplo, o presidente citou a reforma agrária, as novas leis do meio ambiente e a criação das agências reguladoras.
Entre os que deixam o governo estão os ministros da Previdência, Reinhold Stephanes, da Justiça, Íris Resende, do Planejamento, Antônio Kandir, do Meio Ambiente, Gustavo Krause, da Articulação Política, Luiz Carlos Santos, da Indústria e Comércio, Francisco Dornelles, do Trabalho, Paulo Paiva e dos Transportes, Eliseu Padilha. Estes dois últimos, no entanto, ainda não decidiram se deixam o governo para tentar uma cadeira na Câmara.
Palácio de Cristal O presidente Fernando Henrique Cardoso reinaugura hoje, em Petrópolis, região serrana do Rio, o Palácio de Cristal, uma das duas únicas edificações de ferro e vidro existentes no mundo - a outra está em Madri, na Espanha. Construído em 1884, o palácio foi um presente do Conde D’Eu à sua mulher, a princesa Isabel, e reabre agora para visitação pública depois de passar por reformas durante cinco meses. As obras custaram R$ 800 mil.
O palácio é uma réplica do Crystal Palace, primeira edificação do gênero, inaugurada em 1851, em Londres, um dos marcos dos padrões estéticos surgidos com a Revolução Industrial. Erguido no centro de Petrópolis, o Palácio de Cristal foi o local em que, em 1888, a princesa Isabel conferiu títulos de alforria aos 103 últimos escravos da cidade. (A.E.)

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