O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que busca o entrosamento com o Estados e não a intervenção do governo federal nas ações de combate à violência urbana. Foi uma tentativa de diminuir a irritação dos governadores que antontem acusaram Fernando Henrique de querer interferir nas ações de segurança dos Estados. Fernando Henrique também descartou o uso das Forças Armadas em ações cotidianas contra a violência.
‘‘As Forças Armadas só serão usadas em momento de gravidade extrema quando está em risco a ordem constitucional e não é o caso do Brasil, onde o problema é a violência urbana’’, disse o presidente. A defesa do uso das Forças Armadas para o combate à violência urbana foi feita pelo presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFLBA).
Fernando Henrique fez questão de enfatizar que as Forças Armadas ‘‘não têm treinamento para o combate cotidiano à violência’’ e são treinadas apenas para ‘‘momentos extremos’’.
O presidente afirmou que quem prega o uso do Exército como solução para o combate à violência ‘‘quer é matar gente, porque o Exército é treinado para matar e não para policiar’’. Ontem em Tocantins Fernando Henrique argumentou que a atribuição constitucional das Forças Armadas é preservar a integridade do território nacional e garantir a soberania e ordem constitucional em momentos extremos. Ele disse ainda que as forças não se furtarão no apoio logístico ao combate ao narcotráfico, mas que a violência urbana é uma função direta da polícia civil e polícia militar.
O presidente afirmou que a preocupação com a violência urbana no Brasil é geral. ‘‘É do povo, não é só do governo, é de cada brasileiro, brasileira, de cada família.’’ Além do entrosamento com os Estados, Fernando Henrique defendeu a articulação entre os órgãos do governo para garantir a eficiência das ações. ‘‘Mas nunca substituir a ação direta dos governadores, das autoridades locais’’, reforçou. ‘‘Isso seria intervenção e não cabe’’.
Sempre enfatizando que a responsabilidade pela segurança pública é dos Estados, o presidente disse ainda não saber quando o Plano Nacional de Segurança será divulgado. ‘‘Esse é um assunto delicado e sério, não é simplesmente para dar manchete de jornal’’, afirmou, explicando que ele trará ações continuadas. ‘‘Não se deve criar expectativa na população’’, insistiu.
Fernando Henrique também negou ter pedido aos governadores que reprimissem as manifestações de servidores públicos federais em greve desde o último dia 10. Ele disse que reivindicações do funcionalismo são ‘‘normais’’ numa democracia.
Depois de visitar a usina hidrelétrica que está sendo construída na cidade de Lajeado (a 53 quilômetros da capital, Palmas), Fernando Henrique destacou a retomada das obras no País, citando feitos na área de energia.

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