Tânia Monteiro
e Mariângela Gallucci
Agência Estado - De Brasília
O presidente Fernando Henrique Cardoso demitiu ontem o ministro da Defesa, Élcio Álvares. O afastamento do ministro foi acertado durante encontro de cerca de uma hora entre os dois, no Palácio da Alvorada. Fernando Henrique não disse para Élcio o nome de seu sucessor – anunciado mais tarde – só pedindo que Élcio permanecesse no cargo até a nomeação do substituto. Depois de submeter o ministro a 15 dias de crescente desgaste político, afirmando que ele não deixaria o governo, FHC o demitiu.
Os comandantes das Três Forças prestaram solidariedade ao ministro, lastimaram a sua saída e distribuíram notas internas relatando o afastamento de Álvares do cargo. Nas conversas, diziam que o ministro fazia um bom trabalho em conjunto com as Forças, mas entendiam que o cargo pertence ao presidente.
‘‘O presidente pediu o meu cargo e eu coloquei à disposição’’, informou Álvares, à saída do Alvorada. ‘‘No momento em que ele manifestou que tinha necessidade do meu cargo, não compete a mim discutir razões.’’ Do Palácio, Álvares foi para o Ministério da Defesa onde, primeiro, se reuniu com seus auxiliares diretos e, em seguida, com os três comandantes militares. O único comandante a dar declarações à imprensa foi o do Exército, general Gleuber Vieira, que revelou apenas que o perfil do novo ministro, quem traça, ‘‘é o presidente’’. Indagado se haveria problemas se o substituto fosse um civil, respondeu: ‘‘Mas já não era um civil antes? Não faz diferença.’’
A situação de Álvares no governo ficou insustentável após a divulgação da entrevista na revista ‘‘Época’’ desta semana, em que ele criticava a atitude do ministro da Saúde, José Serra, que alimentava especulações sobre sua saída do ministério e lembrava que o ministro da Justiça, José Carlos Dias, era um advogado como ele. Mesmo com a repercussão negativa, o ministro esteve em Anápolis (GO), onde participou de uma solenidade da Aeronáutica.
À tarde, o presidente lhe telefonou. A conversa, conforme relatou, foi amena e o ministro explicou as declarações dadas. Avisou que não iria bater boca pela imprensa e que estava à disposição do presidente. Fernando Henrique pediu que se encontrassem na volta do ministro a Brasília. Álvares avisou a interlocutores da audiência, mas insistiu que não pediria demissão, embora reconhecesse que isso não significaria a sua permanência na pasta.
Depois de comunicado da demissão, de volta ao Ministério, Álvares afirmava a auxiliares que entendia as razões de FHC, que saía sem mágoas e que iria aguardar a indicação de seu substituto, participando da solenidade de transmissão do cargo. ‘‘Eu tenho de ter a intuição política, fui político, fui senador. É um momento em que o presidente teria uma melhor solução administrativa se não estivesse dentro desse tumulto’’, disse aos jornalistas.
‘‘O momento em que eu estou vendo aqui, acho que não tive nenhuma platéia tão grande de jornalistas mas acho que cumpri o meu dever.’’ Álvares disse que vai abandonar a política e se dedicar às três profissões, antes de se tornar parlamentar: advogado, jornalista e professor. Ontem à tarde, Álvares recebeu a visita de diversos parlamentares que lhe prestaram solidariedade.Embora viesse sustentando que ele seria mantido, presidente sucumbiu às pressões e denúncias e decidiu pedir o cargo de volta
Arquivo FolhaFORAÉlcio Álvares: indisposição generalizada teve o ponto máximo na crítica a Serra numa entrevista, quando acusou o colega de comandar fritura

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