FHC deixa para hoje anúncio de equipe
Agência Estado
De Brasília
O porta-voz da Presidência da República, Georges LamaziSre, anunciou ontem, por volta das 19h30m, que o presidente Fernando Henrique já tinha, naquele horário, todas as decisões sobre a reforma ministerial e estava formalizando os convites. Segundo ele, o anúncio do ministério foi transferido para hoje, ao meio-dia, pelo presidente, no Palácio do Planalto.
A nova equipe teve perfil técnico reforçado e preservou a correlação de forças partidárias. Até o início da noite, a única dúvida era se o Ministério da Ciência e Tecnologia continuaria existindo ou seria desmembrado entre Educação e de Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
O equilíbrio partidário dentro do primeiro escalão foi preservado, com o PMDB ganhando a nova pasta da Integração Nacional, cujo ministro será o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (RN), presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), e ainda assumindo a Cultura, com a nomeação do senador José Fogaça (RS) no lugar do ministro Francisco Weffort.
O PPB também manterá a cota de dois ministros. Francisco Dornelles permanece na pasta do Trabalho e o ex-ministro de Médici, Figueiredo e Collor (ver abaixo), Marcus Vinícius Pratini de Moraes, no Ministério da Agricultura, substituindo o também pepebista Francisco Turra. A pasta da Justiça, que era ocupada pelo pemedebista Renan Calheiros, perde a cor partidária, com a nomeação do advogado-geral da União, Geraldo Magela Quintão.
Os quatro ministros do PFL permanecem nos postos. Já o PSDB não conseguiu o objetivo de reforçar presença. A pasta do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, para a qual o partido articulava um nome de forte expressão política, continuará nas mãos de técnicos tucanos com pouco compromisso com os objetivos da legenda. Sai o ministro Celso Lafer e entra o atual ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho. Para o lugar de Carvalho, vai o ministro de Orçamento e Gestão, Pedro Parente. No posto de Parente, ficará o secretário-executivo da pasta, Martus Tavares.
O novo ministério começa em crise. Depois de uma reunião de três horas com o presidente na noite de quarta-feira, o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), e o presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), acertaram a nomeação de Bezerra para a pasta da Integração Nacional, que seria reforçada com a saída dos Bancos da Amazônia (Basa) e do Nordeste do Brasil (BNB), sob o comando do Ministério da Fazenda. Horas depois, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, divulgava uma nota oficial, afirmando que o Basa e o BNB continuam no Ministério da Fazenda.
Na reunião do presidente com os peemedebistas, FHC ouviu uma exigência: o partido não iria aceitar que o ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga, migrasse para a pasta da Justiça. Descartado o nome de Veiga, FHC afirmou que gostaria de ter um técnico na pasta. Temer sugeriu o nome do advogado Manoel Alceu Affonso Ferreira, que foi secretário da Justiça do Estado de São Paulo no governo Luiz Antônio Fleury Filho, hoje deputado pelo PTB. O presidente fez o convite ao advogado hoje, mas a resposta foi negativa.





