O presidente Fernando Henrique Cardoso rebateu ontem, durante seminário sobre o programa Brasil em Ação, as críticas contra a política econômica e a inserção do País no chamado mundo globalizado. ‘‘Quando a economia era fechada por acaso o povo vivia melhor?’’, questionou o presidente. ‘‘Acaso a inflação beneficiava os salários?’’ Ele menosprezou as queixas com relação ao desemprego, segundo ele, estável entre 5% e 6% da força de trabalho. Também nessa área, ‘‘o futuro não é catastrófico’’ na sua opinião.
A redução de empregos, de acordo com Fernando Henrique, vem sendo provocada pelos novos processos de produção, mais automatizados, e pelo crescimento da oferta de mão-de-obra em ritmo superior ao das vagas que são abertas pelas empresas. Mas os dados demográficos indicam que em 2015 ou 2020 o crescimento da população brasileira terá se estabilizado. ‘‘O problema estará resolvido estruturalmente, mas o governo também está atuando desde jᒒ, disse o presidente.
No seminário, que reuniu ministros, técnicos e funcionários do governo numa teleconferência transmitida simultaneamente para várias capitais pela Embratel, Fernando Henrique usou quase uma hora para dar uma visão otimista do programa, classificado por ele como um projeto nacional. ‘‘O governo não pode apenas gerenciar as questões do dia-a-dia, mas precisa ter uma visão estratégica para o País’’, disse.
O Brasil em Ação, composto de 42 projetos sociais e de infra-estrutura escolhidos pelo seu impacto, viabilidade e compatibilidade com as restrições financeiras do governo, está recebendo investimentos de R$ 31,7 bilhões somente neste ano. Em 1998, serão R$ 33,5 bilhões. A maior parte dos recursos virá do setor privado, empresas estatais e fundos como o FGTS e o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
O presidente comparou o Brasil em Ação ao Plano de Metas do ex-presidente Juscelino Kubitschek, que concentrou recursos no desenvolvimento da indústria de base, agricultura, educação, transportes e energia. Mas salientou que a estrutura de financiamento dos atuais projetos marca uma diferença fundamental entre os dois programas. O Plano de Metas, que se orientava pelo lema ‘‘50 anos em 5’’, dependia fundamentalmente dos recursos públicos para seu desenvolvimento.
Segundo Fernando Henrique, mais da metade dos investimentos do Brasil em Ação está sendo feita em programas sociais. ‘‘Nunca houve antes tamanho esforço nesse sentido’’, afirmou.

mockup