O presidente Fernando Henrique Cardoso sugeriu ontem a tributação de empréstimos de capital próprio como fonte de recursos para repassar ao salário mínimo um aumento superior ao índice de inflação. Embora não tenha detalhado a proposta, ele frisou que o governo não fará milagres para atender a pressão por um reajuste mais generoso e voltou a cobrar do Congresso a identificação de fontes de dinheiro permanentes para sustentar a elevação do salário mínimo para R$ 180. ‘‘Há a possibilidade de ver a tributação de empréstimo de capital próprio, que é uma tecnicalidade das empresas’’, disse Fernando Henrique, em entrevista à Rádio CBN. ‘‘Milagre não existe, alguém vai ter que pagar porque o governo não tem dinheiro’’.
Enquanto os parlamentares pressionam por um aumento superior aos 5,57% previstos no Orçamento do ano que vem, técnicos do governo estudam alternativas para tornar viável um salário mínimo superior a R$ 159. Nos últimos dias, Fernando Henrique também sugeriu mudanças no recolhimento do Imposto de Renda e a taxação sobre as aplicações financeiras dos fundos de pensão, mas até agora o governo ainda não formalizou nenhuma proposta.
Absorvendo a repercussão negativa da proposta em torno do IR, FHC disse que o reajuste do mínimo não virá do aumento de impostos. Ele também mandou um recado velado a seus críticos, principalmente ao presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). O presidente avisou que o governo contingenciará gastos caso o mínimo seja reajustado sem que haja dinheiro suficiente nos cofres do Tesouro, lembrando que depois não aceitará críticas em torno da execução do Orçamento. ACM, principal defensor do salário de R$ 180, também defende a adoção do Orçamento impositivo como solução para o que considera excesso de flexibilidade na execução dos gastos aprovados pelo Congresso.

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