FHC defende fundo misto para campanhas
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sábado, 18 de novembro de 2000
Claudia Dianni Cidade do Panamá Agência Estado 
O presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) voltou a defender ontem no Panamá, onde participa da 10ª Conferência Ibero-Americana, o financiamento público de campanhas políticas. Ele defendeu a discussão do tema na reforma política e sugeriu a adoção de um sistema de campanha misto, com fundos compostos por dinheiro público e por doações. O pior é a farsa; é melhor que seja misto desde que fique claro que é possível financiar e quem está financiando, afirmou.
Na época em que era senador, Fernando Henrique apresentou um projeto sobre o sistema misto. Ontem, ele disse ter recebido críticas quando propôs o projeto.Diziam que queríamos dar dinheiro público a políticos, afirmou. Naquela época eu acreditava em campanhas públicas e não mudei.
As declarações do presidente foram dadas menos de uma semana após ele ter sido acusado de usar um caixa dois na campanha eleitoral de 1998. Segundo publicou o jornal Folha de São Paulo no último domingo, o caixa dois da campanha de FHC teria movimentado pelo menos R$ 10 milhões. O valor não foi declarado na Justiça Eleitoral. Apesar de propor alterações no sistema de financiamento de campanha, o presidente não comenta as acusações.
Fernando Henrique desembarcou na Cidade do Panamá no início da noite de ontem. Ele confirmou que irá se encontrar com o presidente da Argentina, Fernando De La Rúa, a quem disse que oferecerá apoio. As preocupacões com a situacão econômica na Argentina, segundo o presidente brasileiro, não são pelas possíveis consequências para o Brasil, mas porque o vizinho é um parceiro importante e é preciso fortalecer o Mercosul. Os fundamentos da economia brasileira estão bem sólidos, disse.
O presidente brasileiro classificou o pacote econômico argentino de difícil, mas corajoso. A questão deles é colocar em ordem as finanças das províncias e ganhar tempo para aumentar a produtividade. Segundo ele, assim como o Brasil durante a crise de 1998, a Argentina precisa de apoio do Congresso. O Brasil não se recuperaria se eu não tivesse tido o apoio do Congresso Nacional, destacou o presidente.
Fernando Henrique também comentou o impasse no resultado das eleições dos Estados Unidos que ainda não sabe quem será o próximo presidente, o democrata Al Gore ou o republicano George W. Bush. Defendendo o modelo brasileiro, FHC considerou a confusão na apuração da eleição americana como um cúmulo. Além de Rua, FHC também se encontrará no Panamá com o presidente cubano Fidel Castro.


