Agência Estado
De Brasília
e Redação
O presidente Fernando Henrique Cardoso ‘‘sempre foi favorável à descentralização industrial’’. A defesa da instalação da indústria da Ford na Bahia com incentivos do governo federal, que está gerando polêmica junto a governadores e empresários, foi feita ontem à noite por meio do porta-voz da Presidência, Georges LamaziSre. Segundo ele, ‘‘as áreas competentes continuam estudando a melhor maneira de manter a fábrica no Nordeste, sem afetar compromissos internacionais do Brasil’’.
A manifestação do porta-voz foi feita depois de duas reuniões em menos de 24 horas promovidas por FHC no Alvorada para tratar das negociações entre o governo e a Ford. O primeiro encontro durou mais de cinco horas e terminou na madrugada de ontem, com a presença do vice-presidente Marco Maciel, e dos ministros Pedro Malan (Fazenda), Pedro Parente (Orçamento e Gestão) e Clóvis Carvalho (Casa Civil), além do líder do Governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP).
FHC voltou a reunir seus ministros à tarde para tratar do assunto, em econtro de três horas. A principal dificuldade que a área técnica está encontrando para fechar a proposta de incentivos à Ford é o tratamento a ser dado a dois tributos: a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e o Programa de Integração Social (PIS).
O governo baiano quer descontar esses dois tributos do valor do IPI a ser pago pela Ford. O Ministério da Fazenda resiste, pois avalia que essa proposta eleva em demasia o total dos subídios da União. A proposta final será apresentada a FHC até quinta-feira.
Os representantes da Bahia que estão negociando com o governo dizem que o desconto da Cofins e do PIS somaria cerca de R$ 200 milhões nos primeiros três anos de funcionamento da Ford em Camaçari. A partir do quarto ano, até o décimo, o custo desse incentivo fiscal seria de R$ 150 milhões/ano. O governo baiano diz que esses subsídios seriam necessários para cobrir o ‘‘custo Bahia’’, que é representado principalmente pela distância de Camaçari, local onde será instalada a fábrica, e os principais centros consumidores e fornecedores de matérias-primas e equipamentos.
Cada veículo a ser produzido pela Ford em Camaçari custará US$ 510 a mais do que o feito em Estados do Sul ou Sudeste. Esse é o ‘‘Custo Bahia’’ que terá que ser coberto pelos subsídios da União e daquele Estado.
De acordo com o governo baiano, com exceção do desconto da Cofins e PIS, todos os outros subsídios previstos são iguais àqueles concedidos pelo governo para a Ford e a General Motors no Rio Grande do Sul, para a Renault e a Chrysler no Paraná.
O presidente do BNDES, José Pio Borges, disse que a instalação da fábrica na Bahia é o maior projeto da multinacional norte-americana no mundo e vai gerar 5 mil empregos diretos, 3,5 mil postos de trabalho a mais do que a proposta inicial para o RS.
Ele lembrou que está prevista a ida de 17 empresas de autopeças dentro da planta industrial da montadora e mais dez outras em torno do parque. Borges citou ainda que, em 1998 e 1999, foram liberados financiamentos para cinco montadoras: Peugeot-Citroen (RJ), no valor de R$ 335 milhões; Mercedes-Benz (MG), R$ 325 milhões; Volks (PR), R$ 294 milhões, Fiat (MG), R$ 502 milhões, e Ford (Taubaté/SP), R$ 230 milhões.

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