Brasília - Num dia de forte turbulência no mercado e de reforço das metas inflacionárias pelo governo, o presidente Fernando Henrique Cardoso chamou ontem os ‘‘setores que defendem o retorno da inflação e da correção monetária’’ de ‘‘insensatos’’ e ‘‘ignorantes’’. A declaração foi feita na cerimônia de lançamento da nova nota de R$ 20. Fernando Henrique e o ministro da Fazenda, Pedro Malan, defenderam a manutenção dos fundamentos da política econômica.
Escudado por Malan, o presidente afirmou para os candidatos a presidente que a ‘‘sociedade brasileira rejeitará qualquer proposta que venha significar a volta da inflação’’. Apesar do dólar ter atingido R$ 2,882 durante o dia, FHC acentuou que a turbulência ‘‘não atrapalha o País’’.
‘‘Hoje, não existe alguém que possa imaginar que a inflação possa ser bem-vinda. Aqueles que, por ignorância, pregam (o retorno da inflação), ainda bem que não vão assumir o governo. Porque, se o governo faz isso, o povo reage. O povo se habituou a um novo padrão de comportamento’’, afirmou. ‘‘As regras podem ser melhoradas, mas certos fundamentos devem ser mantidos para que o bolo não desande’’, disse.
O presidente afirmou que, nos países mais desenvolvidos, questões como a estabilidade dos indicadores de inflação e as políticas monetária e fiscal não fazem mais parte dos discursos e programas eleitorais porque as linhas seguidas há anos foram incorporadas pela sociedade. ‘‘Aqui, também está em incorporação’’, afirmou, referindo-se ao controle inflacionário.
Antes do presidente, o ministro da Fazenda havia falado sobre o mesmo assunto. Antecipando as celebrações dos oito anos do Plano Real, marcadas para a próxima semana, Malan fez um relato sobre os ganhos de poder de compra do brasileiro, a partir da estabilização da moeda. Mas, na mesma linha de Fernando Henrique, o ministro declarou que o controle da inflação ‘‘deitou raízes’’ na sociedade brasileira e deve ser alvo de compromisso dos futuros governantes, ‘‘sejam eles quem forem’’.
Informado sobre os indicadores de mercado e a escalada do dólar no dia, o presidente falou sobre a importância da moeda como meio de estimular as relações intra-sociais e enfatizou que a turbulência não atrapalha e ‘‘está aí para ser enfrentada’’. ‘‘Eu, francamente, presto mais atenção à sociedade que às turbulências do mercado’’, declarou.

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