BRASÍLIA - O novo líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), tem o aval do presidente Fernando Henrique Cardoso para, no cargo, reduzir os descontentamentos na base aliada e, se preciso, ‘‘usar até a caneta’’ - expressão que significa atender os pedidos de nomeações políticas.
Luís Eduardo contou a parlamentares amigos que o visitaram depois da indicação ter ouvido de Fernando Henrique um apelo. ‘‘Eu não tinha como recusar o cargo nestas circunstâncias’’, disse ele, embora até à noite ainda não tivesse dado sua resposta. Fernando Henrique disse ao novo líder que ele terá do governo a retaguarda para exercer o cargo na sua plenitude política. O que Luís Eduardo prometer o governo atenderá.
O governo tem enfrentado todo tipo de dificuldades para aprovar as reformas. A da Previdência foi reduzida na Câmara a um arremedo de projeto; a administrativa corre o mesmo risco. Com a nomeação de Luís Eduardo a intenção é tornar transparentes as negociações, mesmo que sejam por cargos. Fernando Henrique não quer que se repitam mais episódios como o da denúncia da compra de votos a favor da reeleição, que causaram enormes desgastes ao governo.
O presidente comentou com o ex-presidente da Câmara a necessidade do governo de contar com uma pessoa tida como intransigente mas que nunca falta com a palavra, quando empenhada. Durante os dois anos em que foi presidente da Câmara, Luís Eduardo dizia ‘‘não’’ a um pedido sem o menor constrangimento, mas quando fazia uma promessa jamais deixava de cumpri-la.
As posições políticas de Luís Eduardo também são claras. Desde a Constituinte de 1987/88 ele prega o liberalismo, é a favor da privatização de todas as estatais, da reeleição para todos os níveis, sem desincompatibilização, da reforma do Estado, da reforma do Judiciário e da reforma da Previdência. Durante a Constituinte, Luís Eduardo votou contra a maioria dos acordos, sob o argumento de que feriam seus princípios liberais. E fez uma advertência: seria difícil governar com a Constituição do jeito que foi aprovada. Na presidência da Câmara o novo líder ajudou o governo Fernando Henrique.
A pauta de votações geralmente saía de sua própria cabeça. Obrigado a dar um aumento de salário para os servidores, avisou com antecedência que iria pôr o projeto em votação porque não tinha mais como adiá-lo, mas votaria contra. Fernando Henrique viu em Luís Eduardo um grande aliado e os dois passaram a conversar pelo telefone, diretamente.
A autorização do presidente para que o novo líder use livremente a caneta acabou sendo uma resposta ao ministro de Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos. Logo depois de saber da nomeação do líder, Santos fez comentários sobre as dificuldades de Luís Eduardo, justamente porque não ‘‘tinha nenhuma caneta’’. O líder terá, assim, poderes que o governo jamais concedeu a seu ministro de Assuntos Políticos.

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