FHC critica soluções da Otan
O presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou ontem a solenidade pelo Dia do Diplomata e a formatura de 35 novos diplomatas brasileiros pelo Instituto Rio Branco, no Palácio do Itamaraty, para criticar a Otan por ter buscado uma estratégia de solução baseada no uso unilateral da força para atuar no conflito em Kosovo, sem que, para isso, tivesse apoio do Conselho de Segurança da ONU. Mas, ao mesmo tempo, FHC disse que, apesar de condenar a forma de ação da Otan, o Brasil não podia aceitar as violações sistemáticas de direitos humanos ocorridas em Kosovo.
Que, nesse caso, atingem níveis que evocam algumas das memórias mais tristes e obscuras de nosso século, afirmou. A depuração étnica é uma prática que representa a negação mais absoluta dos valores de pluralismo e de tolerância que constituem a base de nossa forma de vida.
A aparente contradição das afirmações, repetiu declarações de FHC na Alemanha e no Reino Unido, há duas semanas. No encontro com o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, FHC apoiou a proposta dele de submeter ao Conselho de Segurança da ONU as ações de ataque da Otan. O mesmo foi dito ao primeiro-ministro britânico, Tony Blair.
Essa dualidade de atitude também havia sido revelada no início do conflito, quando o Itamaraty divulgou nota criticando a ação da Otan e, logo depois, o representante do Brasil no Conselho de Segurança da ONU votou a favor da ação do organismo na Iugoslávia.
Aos diplomatas, ontem, FHC disse que, qualquer que venha a ser o resultado do atual conflito, ele trará consequências importantes para a ordem internacional (...) tanto por seus aspectos humanos como pelo seu impacto sobre o ordenamento político e jurídico das relações internacionais.
No Dia do Diplomata, FHC também entregou a Grã-Cruz da Ordem do Rio Branco a diversas personalidades, como o ministro paranaense Rafael Greca, do Esporte, Turismo e Juventude.





