O presidente Fernando Henrique Cardoso criticou ontem a oposição, a CUT e os ‘‘opiniáticos internacionais’’, no discurso que fez ao anunciar as medidas para compensar o crescimento do desemprego. Pelo que o presidente deu a entender, os ‘‘opiniáticos em questão são os analistas estrangeiros que, nas últimas semanas, têm feito prognósticos sobre a crise econômica brasileira, incluindo a possibilidade de recessão. ‘‘Não sou do tipo dos que acreditam em recessão. Disseram isso em 97 e veja o que aconteceu. Quando foram calcular quanto o Brasil cresceu, deu 3,67%. Agora, as Cassandras de sempre, sobretudo os opiniáticos internacionais, ditam cifras a torto e a direito’’, disse FHC.
Mais tarde, o porta-voz da Presidência, Sérgio Amaral, foi questionado pelos jornalistas sobre declarações do economista Rudi Dornbusch, que, na edição de ontem da ‘‘Folha de S.Paulo’’, disse que o ajuste fiscal proposto pelo governo não reduziu o ‘‘déficit de confiança’’ no Brasil. Amaral disse que FHC ‘‘acha que os brasileiros devem seguir a própria cabeça e não a dos que não acompanham a economia brasileira no seu dia-a-dia’’.
As críticas de FHC à oposição se deram quando, em seu discurso, o presidente defendeu o pacote de ajuste anunciado na semana passada. ‘‘A hora, portanto, não é de recuo, não é de negaças, não é de espertezas, não é de palavras vazias, de quem diz que ‘‘sou contra o ajuste fiscal’’.
FHC afirmou que a oposição, ‘‘se pensasse no Brasil’’, retiraria hoje os três DVS (Destaques de Votação em Separado) apresentados ao projeto da reforma da Previdência para acelerar sua aprovação. Segundo ele, a oposição defende em um dos DVS a manutenção de ‘‘privilégio’’ do funcionalismo público: não ter idade mínima para a aposentadoria. O governo quer estabelecer a idade mínima de acesso ao benefício em 55 anos para as mulheres e em 60 anos para os homens. Para FHC, a aprovação das medidas vai ajudar o País a enfrentar a crise econômica mundial. Ele disse que é falso o argumento da oposição segundo o qual o governo deveria baixar a taxa de juros em vez de adotar o ajuste fiscal.

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