FHC critica postura da esquerda frente ajuste
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quarta-feira, 04 de novembro de 1998
Renata Giraldi e Abnor Gondim Agência Folha 
O presidente Fernando Henrique Cardoso criticou ontem a oposição, a CUT e os opiniáticos internacionais, no discurso que fez ao anunciar as medidas para compensar o crescimento do desemprego. Pelo que o presidente deu a entender, os opiniáticos em questão são os analistas estrangeiros que, nas últimas semanas, têm feito prognósticos sobre a crise econômica brasileira, incluindo a possibilidade de recessão. Não sou do tipo dos que acreditam em recessão. Disseram isso em 97 e veja o que aconteceu. Quando foram calcular quanto o Brasil cresceu, deu 3,67%. Agora, as Cassandras de sempre, sobretudo os opiniáticos internacionais, ditam cifras a torto e a direito, disse FHC.
Mais tarde, o porta-voz da Presidência, Sérgio Amaral, foi questionado pelos jornalistas sobre declarações do economista Rudi Dornbusch, que, na edição de ontem da Folha de S.Paulo, disse que o ajuste fiscal proposto pelo governo não reduziu o déficit de confiança no Brasil. Amaral disse que FHC acha que os brasileiros devem seguir a própria cabeça e não a dos que não acompanham a economia brasileira no seu dia-a-dia.
As críticas de FHC à oposição se deram quando, em seu discurso, o presidente defendeu o pacote de ajuste anunciado na semana passada. A hora, portanto, não é de recuo, não é de negaças, não é de espertezas, não é de palavras vazias, de quem diz que sou contra o ajuste fiscal.
FHC afirmou que a oposição, se pensasse no Brasil, retiraria hoje os três DVS (Destaques de Votação em Separado) apresentados ao projeto da reforma da Previdência para acelerar sua aprovação. Segundo ele, a oposição defende em um dos DVS a manutenção de privilégio do funcionalismo público: não ter idade mínima para a aposentadoria. O governo quer estabelecer a idade mínima de acesso ao benefício em 55 anos para as mulheres e em 60 anos para os homens. Para FHC, a aprovação das medidas vai ajudar o País a enfrentar a crise econômica mundial. Ele disse que é falso o argumento da oposição segundo o qual o governo deveria baixar a taxa de juros em vez de adotar o ajuste fiscal.


