France-PresseVoltando à rotinaFHC e o Premier de Quebec, Lucien Bouchard: quatro dias no Canadá e um balanço positivo da viagemO presidente Fernando Henrique Cardoso chamou de ‘‘vergonhoso’’ para o país o fato de o Congresso levar mais de dois anos para votar projetos importantes, como o da reforma administrativa. Ele qualificou de ‘‘ranheta’’ a votação de anteontem à noite na Câmara, quando o governo foi derrotado por sua própria base na rejeição de dispositivo criando o contrato de trabalho público. Esse item permitiria contratar não-estáveis.
Fernando Henrique disse que é persistente e ainda vai fazer uma boa reforma administrativa. Pouco antes de embarcar de volta para o Brasil, depois de uma viagem de quatro dias ao Canadá, o presidente fez um balanço de sua permanência no Exterior, criticou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por se envolver em assuntos como o leilão da Vale do Rio Doce e reafirmou que se já tivesse conseguido aprovar as reformas não se preocuparia com a reeleição. ‘‘O que a CNBB tem a ver com a Vale?, perguntou. A chegada do presidente a Brasília estava prevista para ontem à noite.
Ele fez elogios à aprovação, no Senado, do projeto que limita a edição de medidas provisórias. O presidente reivindicou para si participação no projeto, pois o negociou com o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), e com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP).
Muitos atribuíram a derrota na votação da reforma administrativa à falta de jeito de Temer. Mas Fernando Henrique o defendeu: ‘‘Não adianta querer jogar a culpa nos ombros de alguém’’. O presidente falou ainda que a reforma da Previdência deverá ser votada logo pelo Senado e se queixou de seu tipo de vida. ‘‘Vocês acham que a minha vida é fácil, que é um estilo de vida que possa realmente motivar alguém? Portanto, se tivesse conseguido aprovar mudanças, não pensaria em reeleição. ‘‘Faço por dever de brasileiro.
Sobre à violência no Brasil, o presidente mostrou-se revoltado. Ele disse que tem servido de contrapeso no exterior toda vez que a sociedade se excede na violência. Por isto, acha que chegou a hora de se dar um basta à violência urbana ou rural e se criar mecanismos que permitam este controle.
A respeito do vazamento da informação do Banco Central de que o Real seria desvalorizado em 7% até o final do ano, o presidente disse que não tinha muitas informações, mas garantiu que não é um tecnocrata que vai ditar as regras de valorização de uma moeda e sim o mercado. Quanto ao contínuo que largou o papel confidencial do BC entre a papelada destinada à divulgação, o presidente foi categórico: ‘‘Tem que ser demitido’’.

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