FHC critica imposição ao receber Clinton
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segunda-feira, 13 de outubro de 1997
Agência Estado Brasília 
O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem à noite ao presidente norte-americano Bill Clinton que o processo de globalização da economia deve servir para aproximar as nações e não pode ocorrer apenas em favor dos países mais fortes. A nova ordem global não pode ser imposta, mas compartilhada; não deve ser espoliadora, mas promotora do bem estar da humanidade, disse no discurso de boas vindas a Clinton, durante coquetel no Itamaraty. O presidente Bill Clinton chegou em Brasília às 19h30.
Num discurso curto, Fernando Henrique disse que Brasil e EUA compartilham valores fundamentais e pontos de vista convergentes em inúmeras questões e desafios dos tempos modernos. Mas deixou claro que os dois países mantêm diferenças em questões de vital importância para seus próprios interesses nacionais, como a proposta de criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), principal iniciativa diplomática norte-americana para o continente, que é vista com cautela pelo Brasil.
Muitas vezes esses interesses não coincidem inteiramente. Ou são mesmo concorrentes, declarou o presidente, Mas, hoje, podemos lidar com essa realidade melhor do que jamais na história de nossas relações, acrescentou. Fernando Henrique lembrou que Brasil e Estados Unidos foram aliados em duas guerras mundiais e afirmou que ambos construíram uma aliança não-escrita ao longo de cem anos de relacionamento. Por isso somos capazes de falar a mesma linguagem, para concordar ou discordar, não importa, mas para nos entendermos sempre.
O presidente fez referência ainda às barreiras norte-americanas a produtos brasileiros dizendo que pretende conversar com Clinton sobre alguns problemas que enfrentamos em questões tópicas de comércio. Mas abriu espaço também para exaltar os pontos de convergência e de cooperação entre os dois países, especialmente o acordo na área da educação que ele e Clinton assinam hoje, em cerimônia programada para o Palácio da Alvorada. O acordo, segundo ele, terá indiscutível impacto no desenvolvimento social brasileiro e nas relações entre os dois países.
Fernando Henrique se disse satisfeito por Clinton visitar também São Paulo e Rio de Janeiro, além de Brasília, pois desse modo o presidente norte-americano poderá ter uma visão mais completa das características do Brasil de hoje, entre elas - assinala - a transparência no manejo do patrimônio público. É uma resposta, ainda que indireta, à afirmativa de que no Brasil a corrupção é endêmica, constante de um relatório do governo dos EUA divulgado na semana passada pela embaixador Melvyn Levitsky.
O presidente observou que o povo brasileiro sempre recebe de braços abertos e desarmados os visitantes estrangeiros, e diz que a presença de Clinton no País vai contribuir para aprimorar o entendimento entre os dois países. Estamos prontos agora a dar mais um passo na história das relações entre o Brasil e os Estados Unidos, afirma.
Além de um memorando de entendimento na área da educação, os dois governos vão atualizar acordos já existentes nos setores de modernização do Estado, cooperação jurídica em matéria penal, energia nuclear, cooperação espacial, meio ambiente e tecnologia na área de energia. Funcionários brasileiros e americanos vão conversar também sobre medidas conjuntas para reprimir o tráfico de drogas.


