FHC critica ataques de farsantes
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de novembro de 1998
Wilson Tosta Agência Estado 
Irritado com o noticiário sobre a denúncia de que teria uma empresa em paraíso fiscal, o presidente Fernando Henrique reclamou ontem no Rio que a imprensa esteja dando espaço a farsantes, falsários e pessoas que o Brasil custou a expulsar da vida pública. No primeiro pronunciamento sobre o caso, ele não revelou quem estaria tentando atingi-lo, mas deu pistas que levam ao ex-presidente Fernando Collor, afastado do cargo em 1992 no escândalo do Esquema PC. Peço aos senhores que não ousem me perguntar sobre o que não deve ser pensado e muito menos respondido por alguém que tem dignidade, tem decência, como eu, disse o presidente. Ele referiu-se à notícia publicada ontem nos jornais, demonstrando que seria uma mistificação, uma falsificação grosseira o dossiê com documentos sobre a sua suposta participação e de outros tucanos na sociedade.
Fernando Henrique falou aos repórteres momentos antes de uma palestra para cerca de 700 oficiais da Marinha, Exército e Aeronáutica, na Escola Naval, no Rio. Ele demonstrou indignação por a imprensa dar crédito ao que chamou de uma montagem reles, malfeita, feita por farsantes, falsários, alguns reaparecendo, pessoas que o Brasil custou a expulsar da vida pública.
O presidente considerou um desrespeito ousarem perguntar não ao presidente da República, mas a uma pessoa que tem 50 anos de vida de trabalho, perguntas que não são nem respondíveis, que devem ser repudiadas, de plano. E eu não falo só por mim (mas pelo) governador de São Paulo (Mário Covas), o ministro da Saúde (José Serra), o outro (Sérgio Motta) está morto. Os tucanos a quem ele se referiu também são apontados, no dossiê, como sócios da empresa.
Fernando Henrique declarou sentir tristeza porque, no momento em que luta para afirmar a presença internacional do Brasil, vê notinhas no exterior levantando suspeitas sobre o que não pode ser suspeito: a honorabilidade do presidente da República. O patrimônio moral vale mais do que tudo, e o patrimônio moral de um presidente é indispensável para o País, assinalou. Então, realmente eu preciso expressar ao País a indignação que sinto, por ver, mais uma vez, pessoas sem credibilidade voltarem à vida pública com insinuações. Fernando Henrique também lamentou que isso ocorra no momento em que trabalha dias e noites defendendo nossa moeda, defendendo o Brasil.
Em sua palestra para os oficiais, feita a maior parte do tempo a portas fechadas, o presidente destacou que a estabilização da economia já vai para seu quinto ano, apesar de carpideiras e cassandras ameaçarem de morte o Plano Real a cada seis meses. Eles não percebem que o golpe fatal não vai ser em mim, mas no povo brasileiro, afirmou.
Fernando Henrique disse que a democracia no Brasil está fortalecida e disse que nas últimas eleições 85 milhões de brasileiros votaram, em ambiente de tranquilidade. Após a palestra, o presidente parecia mais calmo que ao chegar. Chamado novamente pelos repórteres, que queriam novas declarações, riu e respondeu: Por hoje, chega.Otávio Magalhães/Agência EstadoFuxicosFernando Henrique fala à imprensa ao chegar à Escola Naval, no Rio: apesar das cassandras, real vai bemPresidente quebra silêncio sobre acusação e diz que há uma montagem reles, malfeita, feita por farsantes, falsários


