FHC convoca ministros para aprovar FEF
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terça-feira, 08 de julho de 1997
Agência Estado Brasília 
O presidente Fernando Henrique Cardoso convocou ontem 12 ministros ao Palácio do Planalto e determinou que todos trabalhassem para aprovar esta semana no Congresso a prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) e a reforma administrativa. Agora é o momento decisivo, o governo tem de aprovar, disse o presidente. Quem não comparecer ou não votar com o governo está contra nós, e isto precisa ficar bem claro, alertou Fernando Henrique aos ministros. O presidente ameaçou retaliar também os prefeitos que estão pressionando contra o FEF. É preciso dizer aos prefeitos que sem o FEF não tem convênio federal com os municípios, completou.
Fernando Henrique orientou os ministros a dizer no Congresso que, sem o FEF e a reforma do Estado, a estabilidade do Real estará comprometida e o governo será obrigado a tomar medidas amargas. Por ordem do presidente, os ministros vão praticamente se mudar para o Congresso nesta semana, adiantou um dos participantes. Vamos atender aos pedidos, mas sem balcão de negócios ou troca de cargos, explicou outro ministro. O presidente nos disse para não aceitarmos pressões para resolver problemas de última hora.
Pouco antes de ir ao Planalto, o ministro do Planejamento, Antônio Kandir, já anunciava que medidas o governo pensa adotar, caso o FEF seja rejeitado: novos cortes no orçamento e até um possível aumento dos juros. Após a cerimônia de instalação do Conselho Deliberativo do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (Coldel-CO), Kandir afirmou que o aperto fiscal e um forte aperto monetário serão o custo inevitável da rejeição do FEF.
Não abrimos mão da segurança do Real, declarou o ministro. Se o Congresso não votar o FEF, preocupado com as pressões de um ou outro prefeito, terá que assumir a responsabilidade pelas consequências, como menor crescimento econômico e menor expansão do emprego. O FEF permite ao governo cobrir buracos no orçamento remanejando 20% das verbas que, por lei ou pela Constituição, têm destinação pré-determinada. Sem o FEF, segundo calcula o economista Raul Velloso, um de seus criadores, o governo teria sido obrigado a emitir R$ 7 bilhões no ano passado para pagar a folha de pessoal do setor público.
Os integrantes da equipe econômica descartaram ontem qualquer nova concessão ao Congresso para aprovar o FEF. Kandir disse que o governo cedeu o que podia. Concordou, por exemplo, que os Estados recebam parte do Imposto de Renda arrecadado junto aos funcionários públicos da União.
Uma maratona de reuniões com governistas e conversas com prefeitos de todo o País que desembarcaram ontem no Congresso deu à relatora da emenda que prorroga o Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), deputada Yeda Crusius (PSDB-RS), a medida exata da dificuldade que o governo terá para aprovar a proposta. A pressão intensa dos prefeitos no corpo a corpo com os aliados do PMDB, PFL, PSDB e PTB ameaça tirar os votos de que o governo precisa para aprovar a emenda.
Yeda Crusius começou o dia enfrentando as resistências do colégio de vice-líderes do PMDB. O deputado Wilson Cignachi (PMDB-RS) compareceu ao encontro com a relatora para exibir as 150 cartas que recebera dos prefeitos gaúchos pedindo seu voto contra o FEF. Foi quando o vice-líder do governo, deputado Ricardo Rique (PMDB-PB), avisou que engrossará a ala dos rebeldes. Eu quebro a estabilidade do servidor público e a paridade entre ativos e inativos, mas no FEF não dá: entre o governo e os prefeitos que me elegem, fico com os prefeitos.


