FHC convida Vieira para campanha
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quinta-feira, 25 de junho de 1998
Denise Madue¤o Agência Folha 
O presidente Fernando Henrique Cardoso convidou ontem o presidente do PTB, senador José Eduardo de Andrade Vieira (PR) (foto), para participar da coordenação de sua campanha. O objetivo é tentar reverter a tendência verificada na reunião da executiva do partido ontem de apoio ao candidato do PPS, Ciro Gomes.
Enquanto a executiva não decidir quem apoiará, não me sentirei à vontade para responder o convite, afirmou José Eduardo. A reunião da Executiva está marcada para a próxima segunda-feira. Na terça-feira, a opção do partido será homologada em convenção.
Segundo José Eduardo, as duas tendências do partido estão com visão distorcida da disputa. Na reunião com FHC estavam apenas os petebistas que querem continuar apoiando o governo e, na reunião com Ciro Gomes, os que defendem a coligação com o PPS. Todos falaram de facilidades para os candidatos como se o apoio a eles fosse seguro, disse o senador. José Eduardo se reuniu com FHC na noite de quarta-feira e ontem pela manhã com Ciro Gomes.
José Eduardo afirmou que parte do PTB está insatisfeita com o tratamento que vem recebendo do governo. Há uma mágoa dos parlamentares e dos convencionais. Isso provocou um desgaste grande. Sem se corrigir isso fica difícil o apoio ao presidente. Na reunião (com FHC), no entanto, não discutimos formas para acabar com essa insatisfação, afirmou o senador.
Pau e pedraO PPS ofereceu o lugar de vice na chapa de Ciro para o PTB. A coligação poderá dobrar o tempo do PPS no horário eleitoral gratuito. Mais importante do que isso (tempo de propaganda eleitoral) é a importância política da aliança. Quem pode derrotar o governo é uma alternativa de centro-esquerda, afirmou Ciro.
O candidato do PPS afirmou que o governo teme a aliança do partido com o PTB. O governo vai jogar pesado até a convenção. Eles (governistas) querem impedir que eu apareça. Sou candidato à presidência da República por cima de pau e de pedra, disse Ciro.
O candidato afirmou que, se tivesse 15 minutos de propaganda na TV, o governo não se sustentaria nem por um mês. Não por causa de meu eventual pálido brilho, mas porque esse governo é muito ruim, completou. O candidato está enfrentando problemas também com o PL.
A coligação, que parecia segura, corre riscos depois que os deputados Eujácio Simões (BA) e Pedro Canedo (GO) começaram a trabalhar contra o apoio a Ciro. Simões é ligado ao senador Antonio Carlos Magalhães e Canedo ao senador Íris Rezende, ambos aliados de FHC. O presidente do PL, Álvaro Valle (RJ), e o líder do partido na Câmara, Valdemar Costa Neto (SP), defendem apoio a Ciro.


