O presidente Fernando Henrique Cardoso deverá convidar o deputado federal eleito Rafael Greca (PFL-PR), ex-prefeito de Curitiba e aliado do governador Jaime Lerner (PFL), para ocupar o novo Ministério de Turismo, Esportes e Juventude, que deverá ser criado para o segundo mandato, como uma forma de atender os pefelistas do Sul. A informação circulou ontem em Brasília, em mais um dia de reuniões para a composição do novo ministério de FHC.
Greca, o mais votado para a Câmara Federal, com 226 mil votos, deve ser contemplado como forma de compensar o adiamento da criação do Ministério do Desenvolvimento Urbano, para o qual estava cotado. O Ministério de Turismo, Esportes e Juventude foi inicialmente oferecido ao líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves, para contentar os tucanos mineiros.
FHC insistiu com Aécio, dizendo que o Ministério tem ‘‘a cara do líder tucano. A proposta dividiu a cúpula do partido, mas Aécio foi aconselhado por líderes tucanos a não aceitar a oferta. Ele sairia do centro das decisões políticas no Congresso para um ministério de difícil projeção. Para não deixar Minas Gerais fora do ministério, FHC deverá escolher o deputado eleito Pimenta da Veiga (PSDB) para o Ministério das Comunicações.
Para atender ao PMDB, o presidente poderá transformar a Secretaria de Políticas Regionais em ministério e transferir para essa pasta a Secretaria de Recursos Hídricos, atualmente vinculada ao Ministério do Meio Ambiente. Até agora, FHC havia anunciado apenas a permanência de quatro ministros: Pedro Malan (Fazenda), Paulo Renato Souza (Educação), José Serra (Saúde) e Luiz Felipe Lampreia (Relações Exteriores).
O presidente Fernando Henrique justificou a divisão de ministérios entre os partidos aliados na tentativa de evitar futuras derrotas nas votações do ajuste fiscal no Congresso, mesmo que as alianças adotadas sejam contraditórias. ‘‘Numa democracia, mesmo em uma sociedade complexa como a brasileira, não haveria outra possibilidade: não se avança sem que se juntem as forças e sem que haja um sistema de alianças, às vezes até contraditório’’, disse FHC. Amanhã, às 11 horas, FHC anuncia os nomes que vão compor o ministério a partir de 1º de janeiro.
ScalcoEm Curitiba, o presidente da Itaipu Binacional, Euclides Scalco, passou o dia de ontem fugindo dos jornalistas. Ele retornou de Brasília na noite de domingo e deu expediente na sede da binacional em Curitiba. Scalco conversou com o presidente no domingo à tarde. Fontes ligadas a ele, davam conta que o futuro político do presidente da Itaipu está nas mãos do presidente e deve ser anunciado de hoje para amanhã.
Scalco teria pedido para Fernando Henrique detalhar melhor que papel irá desempenhar no governo federal. Ele expôs ainda ao presidente suas razões para não ficar com a coordenação política, atrelada à Casa Civil, que deve ser chefiada por Clóvis Carvalho. Scalco estaria relutando em assumir o cargo, que, segundo ele, não se coaduna ao seu estilo de não aderir à política ‘‘do é dando que se recebe’’, comum entre os políticos.
Scalco também teria defendido a indicação de Ary Queiroz para o seu lugar em Itaipu, caso o convite do presidente seja aceito. Mas sem fazer imposições. O presidente da Itaipu Binacional sabe que os partidos aliados ao presidente no Estado - PSDB, PFL e PTB - estão de olho no cargo, em caso de vacância.Foto Arquivo FolhaPara BrasíliaRafael Greca: deputado federal mais votado no Paraná pode virar ministro de pasta nova de FHCAgência Folha

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