FHC contesta depoimento de Fraga aos senadores
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de abril de 1999
Isabel Braga Agência Estado 
O presidente Fernando Henrique disse ontem, em Bonn, momentos antes de embarcar para Lisboa, que a declaração do presidente do BC, Armínio Fraga, à CPI dos Bancos, de que é impossível provar que não houve vazamento de informações quando da desvalorização do real, é uma afirmação lógica, mas não necessariamente verdadeira. É uma afirmação lógica, mas não é de fato e esse é o embaraço da situação, disse, argumentando que para certas questões colocadas em dúvida não há como dizer categoricamente que são falsas.
Só ao levantar a dúvida você já incrimina, por causa de uma espécie de armadilha lógica que existe na questão, declarou. FHC disse que não pode se referir ao caso do Banco Marka como escândalo porque não sabe o que aconteceu. Quero ver o relatório do Banco Central para saber, mas não posso de antemão julgar, disse. Segundo ele, não se pode acusar o aparelho público de permitir impunidade no caso Marka sem antes se provar que houve culpa.
Fernando Henrique prometeu se empenhar para que o caso do Dossiê Caymann não termine em pizza. Ele disse que a Polícia Federal já dispõe de informações suficientes para colocar nas barras dos tribunais os que serviram de elo transmissor dessa infâmia. O dossiê foi montado com documentos falsificados para tentar provar que FHCe e outros três ministros tucanos possuíam uma conta no paraíso fiscal das Ilhas Caymann. FHC disse que a PF está buscando solidez das informações e cumprindo rigorosamente os procedimentos previstos na legislação penal e no sistema judiciário brasileiro para evitar a anulação das provas.
O presdidente também tentou encerrar a polêmica com ACM, que reclamou de declarações de FHC afirmando que a reforma do Judiciário era mais importante que a CPI liderada por ele, e acusou FHC de dar mais uma declaração infeliz no exterior. FHC atribuiu a polêmica a um mal entendido e disse que para ele, tanto a CPI, quanto à reforma são importantes. Mas ironizou ao declarar: Eu duvido que o senador Antônio Carlos tenha reação explosiva, não é do seu temperamento, alfinetou. Acho que ele não foi informado do contexto da minha afirmação.


