Agência Estado
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ParceriasFernando Henrique e Antonio Kandir: presidente vai a Israel para incentivar formação de ‘joint-ventures’Israel e os territórios palestinos serão visitados, pela primeira vez, por um presidente do Brasil. O presidente Fernando Henrique Cardoso chegará à região em 26 de janeiro, conforme prometeu em setembro ao ministro da Indústria e do Comércio israelense, Nathan Sharansky. Na passagem por Brasília, Sharansky disse que a criação de uma zona de livre comércio entre Israel e os quatro países do Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul) ‘‘era uma questão prioritária’’ para o governo daquele país.
FHC viajará aos territórios palestinos pouco antes do status definitivo da região, que será decidido no fim do século, quando o processo de paz, iniciado em 1991, tiver continuidade.
Sharansky, quando esteve no Brasil, convidou empresários e técnicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para visitar o país em dezembro com o objetivo de examinar possíveis ‘‘joint ventures’’ e a participação israelense no processo de privatização brasileiro.
Isolado do mundo, por décadas de guerras com países vizinhos, Israel não conheceu a paz nos quase 50 anos de existência. Com o Brasil, que tinha uma dependência do petróleo árabe, as relações sempre foram distantes. Mas, agora, a situação é outra.
Os brasileiros passaram a importar a maior parte do combustível da América Latina, especialmente da Argentina, hoje o maior fornecedor para o Brasil. Os israelenses, apesar das dificuldades, iniciaram um processo de negociação com os palestinos, cujas terras foram ocupadas em 1967.
Com o fim da guerra fria e numa época em que a globalização é tema obrigatório, uma das principais preocupações de Israel é integrar-se aos blocos econômicos em formação, como o Mercosul (criado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai).
Segundo Sharansky, apesar de Israel ser pequeno, é um grande consumidor: importa US$ 30 bilhões por ano (dos quais apenas US$ 53 milhões do Brasil, em 1996). Nas conversas em Brasília, Sharansky disse que o governo israelense quer formar joint ventures com o Brasil para vender ao resto da América Latina.
Interesse As exportações de Israel deram um salto, nos últimos anos, aumentando de uma média de US$ 12 bilhões anuais para US$ 20 bilhões. O volume de vendas ao Brasil também duplicou, passando de US$ 86 milhões, em 1993, para US$ 190 milhões, em 1996.
O principal motivo para essa melhoria de desempenho, além do processo de paz, foi o volume de investimentos em indústrias de alta tecnologia e a incorporação de cientistas e engenheiros judeus da ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), hoje Comunidade dos Estados Independentes (CEI). ‘‘Em números absolutos, hoje somos o segundo produtor mundial, depois dos Estados Unidos, de inovações tecnológicas’’, disse Sharansky. ‘‘Em números relativos, estamos em primeiro lugar’’, concluiu.
Israel está principalmente interessado em investir em tecnologia de ponta, na área de telecomunicações, assim como em setores de informática e saúde. Com os territórios palestinos, o Brasil também tem interesses, embora diferentes. O Brasil sempre teve uma proximidade maior com os países árabes, no passado, e manteve boas relações com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), quando o líder da organização, Yasser Arafat, era considerado apenas um criminoso por Israel e seus aliados.

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