FHC confia na recuperação da economia
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quinta-feira, 06 de novembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Agência Estado
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RealFernando Henrique Cardoso: não há nenhuma possibilidade de modificarmos nossa política cambialO presidente Fernando Henrique Cardoso refirmou ontem a confiança nos rumos da política econômica e na capacidade do País superar a crise desencadeada pela queda nas bolsas de valores ao redor do mundo. Em entrevista no Palácio do Planalto, ele disse não haver prazo para os juros voltarem a diminuir, mas reconheceu que as taxas não podem permanecer muito tempo nos níveis definidos na semana passada pelo Banco Central (BC), sob pena de criarem embaraços à economia.
Não se deve tapar o sol com a peneira, disse o presidente, ao lado dos ministros da Fazenda, Pedro Malan, e do Planejamento, Antônio Kandir. Se mantidos por muito tempo, os juros terão consequências negativas. Ele considerou prematuro calcular o impacto dessas taxas sobre as contas do governo federal e não quis endossar previsões de especialistas, que apontam para um despesa adicional de R$ 2 bilhões por mês do governo federal com encargos financeiros.
Fernando Henrique foi taxativo ao negar que o real possa ser desvalorizado. Não há nenhuma possibilidade de modificarmos nossa política cambial, afirmou. Ele disse também que o Brasil está hoje melhor preparado para enfrentar turbulências no mercado financeiro do que em 1995, quando eclodiu a crise do México. Segundo o presidente, há dois anos, o sistema bancário era mais frágil, o que obrigou o governo a montar o Programa de Estímulo à Reestruturação e Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer).
O programa evitou que ocorresse agora no Brasil o que aconteceu ontem na Indonésia, quando 16 bancos foram fechados, disse. Fernando Henrique observou ainda que, desde sexta-feira, o BC está recomprando parte dos dólares vendida às instituições financeiras nos dias em que a crise foi mais aguda, recompondo, dessa forma, parte das reservas de divisas do País. Esse movimento foi provocado em grande parte pela elevação das taxas de juros, que aumentou o custo de manutenção dos dólares pelas instituições.
Quem quis especular ficou com a batata quente na mão, ironizou. Sem a remuneração do BC, a batata ficou fervendo, acrescentou, referindo-se ao corte do rendimento que o governo pagava aos depósitos em dólares feitos no BC. O presidente negou que a crise tenha exposto, num grau mais elevado, a vulnerabilidade da economia brasileira a choques externos. A crise revelou o que já se sabia: que são necessárias medidas para reduzir o déficit fiscal e do balanço de pagamentos - e essas medidas estão sendo tomadas. Mas completou: Nada se faz da noite para o dia.
Fernando Henrique disse que o governo continuará fortalecendo as exportações e reiterou o apelo ao Congresso para as reformas constitucionais serem aprovadas. Segundo ele, mesmo que os efeitos das reformas só sejam sentidos a longo prazo nas contas públicas, a aprovação seria um sinal importante para restaurar a confiança dos investidores externos no País. O presidente tentou reduzir a importância da crise atual, comparando-a a um terremoto de 2 ou 3 graus na Escala Richter, que vai até 9. Mas defendeu a criação de mecanismos de controle do fluxo de capitais especulativos ao redor do mundo, preocupação que vem manifestando há mais de dois anos aos chefes de governo dos países desenvolvidos.
Fernando Henrique elogiou a presteza com que o Fundo Monetário Internacional (FMI) socorreu países como a Indonésia e a Malásia, mas disse não ter simpatia pela tese do organismo em favor de uma liberalização completa dos fluxos de capitais. Segundo ele, a crise das bolsas pode ter efeito positivo ao mostrar que os países da América Latina serão capazes de sair mais fortes do atual período de turbulência. Portanto, poderão atrair mais recursos na competição com outras áreas do planeta, disse.


