Porto Camargo - O presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse ontem em Porto Camargo que está confiante de que a crise entre o governo o PFL não deverá atrapalhar a votação de projetos no Congresso. Ele confia, por exemplo, que o PFL vai votar o mais rápido possível a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e que aprovará a proposta. ‘‘Eu tenho a palavra dos líderes do partido. O Brasil vai deixar de arrecadar R$ 400 milhões por semana se a prorrogação não for aprovada e não podemos permitir que isto aconteça por causa de fuxicos e futricas políticos’’, disse.
A crise foi desencadeada pela ação da Polícia Federal que apreendeu documentos e dinheiro nos escritórios do empresário Jorge Murad, marido da governadora do Maranhão e pré-candidata a presidência da República. Por pressão da governadora, o PFL adiou a votação na semana passada. O PFL abandonou a aliança governista e, sem o apoio do partido, o governo corre o risco de não conseguir aprovar a prorrogação. O PFL tem a maior bancada na Câmara - 95 dos 513 deputados.
Fernando Henrique também afirmou que nunca usou instrumentos do Estado para ‘‘fazer o que não deve ser feito’’, referindo-se à acusação de Roseana Sarney de que o governo tucano estaria por trás das investigações na empresa de Murad para desestabilizar a candidatura dela e beneficiar José Serra, pré-candidato dos tucanos. À vontade com o presidente no palanque, o governador Jaime Lerner (PFL) sustentou que problemas políticos não podem comprometer a governabilidade do país. FHC não quis dar declarações à imprensa.

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