FHC condena privilégio a juízes
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domingo, 28 de setembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)FHC entre as alunas de informática: apoio dos sindicalistasO presidente Fernando Henrique Cardoso criticou ontem, em São Paulo, os privilégios concedidos aos magistrados e parlamentares, beneficiados com a manutenção de suas aposentadorias especiais na reforma da Previdência. Eu sou contra o privilégio, discursou Fernando Henrique durante a cerimônia de formatura de 3.528 alunos em um curso de informática da Força Sindical. Nós precisamos de reformas mais igualitárias. Fernando Henrique lembrou que o privilégio não estava na proposta que o senador Beni Veras (PSDB-CE) enviou ao Senado. O privilégio foi introduzido e tem de cair na Câmara, afirmou o presidente.
De acordo com Fernando Henrique, o Instituto de Previdência dos Congressistas (IPC) deve acabar nos próximos dias. O presidente do Congresso (senador Antônio Carlos Magalhães, do PFL-BA), me garantiu que vai acabar com o IPC, que é a aposentadoria especial dos parlamantares, na próxima semana, disse o presidente. Porque isso não está certo e precisamos de um Brasil justo, um Brasil igualitário, acrescentou no final do discurso. O projeto que extingue o IPC foi aprovado, em julho, na Câmara. Na próxima quarta-feira, o projeto deve ir ao plenário do Senado.
O assunto foi levantado sob medida pelo presidente da Força Sindical, Luiz Antônio de Medeiros, que discursou antes de Fernando Henrique. Juiz tem que se aposentar como o povo, afirmou Medeiros da tribuna, olhando para o presidente. Vamos derrubar esses privilégios no Congresso e queremos contar com o senhor. Sentado no centro da mesa, Fernando Henrique acenava positivamente com a cabeça e batia palmas junto com o público. Os discursos pareciam tão ensaiados, que Fernando Henrique usou a fala do sindicalista para justificar sua crítica aos privilégios. Também não quero deixar escapar o apelo que fez o Medeiros, lembrou o presidente no seu discurso.
As críticas de Fernando Henrique também serviram para acabar com algumas vaias que acompanharam o presidente na entrada do prédio e do auditório. Depois de condenar os privilégios, Fernando Henrique foi aplaudido de pé. E na tentativa de popularizar seu discurso, ele até exagerou. Nós não somos um governo de falação, somos um governo de fazeção, afirmou. Junto com o presidente estavam o governador Mário Covas; os ministros da Justiça, Íris Rezende; e do Trabalho, Paulo Paiva; e alguns dirigentes da Força Sindical.
Depois - junto com a filha Beatriz, o genro David Zylberstajn, e os netos Pedro e Júlia - almoçou em um restaurante dos Jardins.
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