FHC condena pessimismo contra o Real
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Rosa Costa Agência Estado 
A três dias da reunião com os governadores, o presidente Fernando Henrique Cardoso referiu-se ontem novamente, de forma indireta, ao governador de Minas Gerais Itamar Franco (PMDB), e mais uma vez condenou o pessimismo dos que não entendem que o Brasil precisa de um conjunto de forças para manter a estabilidade do Real.
Na segunda-feira, FHC rebateu críticas feitas por Itamar, ao comparar a Joaquim Silvério dos Reis, traidor da Inconfidência Mineira, os governantes que se recusam a fazer o ajuste fiscal. O presidente, ontem, procurou combater a descrença espalhada pelos que se aproveitam das dificuldades financeiras, com relação ao futuro do País. Ele exortou a união de todos os brasileiros para lutar pela estabilidade da moeda e contra a inflação.
No discurso de inauguração da eclusa e das três primeiras unidades da Usina Hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta no distrito de Primavera, município de Rosana (SP), Fernando Henrique disse que conta com o apoio do Congresso e da sociedade para alcançar uma economia estável. Segundo ele, o Brasil é um País forte que acredita em si e que vai continuar acreditando. É um País que tem gente séria e trabalhadora e que não se deixa vencer aos primeiros arrufos de forças externas, que não compreendem muitas vezes o que significa a feitura de uma nação.
As homenagens ao ex-ministro das Comunicações Sérgio Motta, morto em 1998, predominaram no discurso do presidente e do governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB). Também a presença de seis ministros de Estado, dos presidentes do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e de parlamentares de vários partidos concorreu para transformar o ato numa saudação à memória de Motta. A viúva, Vilma Motta, sentou-se ao lado do presidente. O governador de Mato Grosso do Sul, José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, também participou da solenidade de inauguração.
Fernando Henrique citou o amigo como um exemplo de competência, honestidade e conhecimento. Segundo ele, a conclusão, pelo governo de São Paulo, de uma obra que estava paralisada há anos é uma prova de que o Brasil não abandonará as metas. O Brasil continuará avançando, assegurou. Vamos precisar, para tanto, de trabalho, honestidade e de conhecimento. Para o presidente, a conclusão da nova hidrelétrica deve-se ao governo motivado e competente de Mário Covas.
O presidente referiu-se às obras que tem inaugurado como prova do avanço do País em vários setores. Segundo ele, das 23 obras paralisadas que encontrou no início do governo, apenas seis não foram ainda concluídas. Para ele, o que torna o feito mais importante é o fato de todas elas terem por principal alvo o bem-estar e a segurança da população.


