O presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) condenou ontem, em Capitão Leônidas Marques (78 km ao sul de Cascavel), durante a inauguração da Hidrelétrica de Salto Caxias, no Rio Iguaçu, a ‘guerra civil’ instaurada no Paraguai com o assassinato do vice-presidente Luis Maria Arga¤a, na última terça-feira. Sem citar nomes, Fernando Henrique aproveitou a oportunidade para mandar um recado ao presidente paraguaio Raúl Cubas. O presidente disse que se os dirigentes paraguaios não respeitarem os princípios que ditam a democracia, o Paraguai deve se retirar do Mercosul.
‘‘Só países democráticos pertencem ao Mercosul. E muitos desses países sobrevivem da democracia. O Brasil não tem interferência na vida do Paraguai. Respeitamos a autonomia do país, mas também temos um sério compromisso democrático. O Brasil espera e apela aos dirigentes paraguaios para que não se afastem desse caminho democrático’’, declarou. ‘‘Uma vez quebrado o rumo da democracia, automaticamente o país que se quebra tem de se desligar do Mercosul’’, emendou Fernando Henrique.
O presidente desembarcou em Foz do Iguaçu por volta das 11 horas. Deslocou-se para a sede de Salto Caxias, em Capitão Leônidas Marques, logo em seguida, de helicóptero. Ele começou a visita na sala de comandos da usina exatamente às 11h45. Fernando Henrique estava acompanhado do governador Jaime Lerner (PFL), do senador Álvaro Dias (PSDB), e do ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho Neto. Seu discurso durou cerca de 20 minutos. Essa foi a terceira vez em menos de três meses que o presidente visitou o Paraná. Pela primeira vez, concedeu uma entrevista coletiva.
Na entrevista, FHC disse, entre outras coisas, estar chocado com os conflitos vividos na madrugada, em frente o Parlamento do país vizinho, que vai analisar o impeachment contra Cubas na semana que vem. Fernando Henrique criticou ainda o ataque da Otan à Iugoslávia, por conta da briga dos sérvios com albaneses em Kosovo. ‘‘Nenhum presidente de República no Brasil poderá ficar feliz de ver um país ser bombardeado. Eu imagino que mesmo aqueles que ordenam os bombardeios fazem-os por outros imperativos, mas com tristeza’’, avaliou.
Fernando Henrique disse que o presidente da Iugoslávia, Slobodan Milosevic, precisa entender que ‘‘não dá para aceitar um massacre de gente’’. Assim como com Raúl Cubas, o presidente do Brasil apelou para que os dirigentes iugoslavos façam um ‘‘esforço’’ para que se cheguem a negociações rápidas e eficientes. ‘‘Para que o custo dessa história não seja pago pelo povo da Iugoslávia’’, observou. O presidente defendeu ainda a abertura de uma negociação entre os sérvios e albaneses.

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