O presidente Fernando Henrique Cardoso se reúne a partir de hoje com os ministros militares para lhes dar uma satisfação sobre a decisão que tomou em relação à criação do Ministério da Defesa. As audiências que, em princípio, serão realizadas separadamente, têm pelo menos três objetivos: agradecer a colaboração prestada nos últimos quatro anos, informar que nomeará o senador Élcio Álvares (PFL-ES) para ministro extraordinário da Defesa e avisar que irá nomear os atuais chefes de Estado-Maior do Exército, da Marinha e da Aeronáutica como ministros interinos para, futuramente, se transformarem em comandantes de força.
Com isso, o presidente pretende tranquilizar a área militar, que andava preocupada com o que aconteceria no dia 31, quando se encerra o primeiro mandato do presidente Fernando Henrique e, teoricamente, os ministérios militares seriam extintos. Na verdade, os ministérios só serão extintos quando o Congresso aprovar - o presidente espera que seja durante a convocação extraordinária - os dois projetos que se encontram em tramitação e criam o Ministério da Defesa.
Durante este período, Fernando Henrique espera que Álvares, um velho conhecido e aliado das Forças Armadas, inicie a transição para a criação da nova pasta. O presidente acredita que, conversando com os ministros militares, poderá selar uma transição tranquila. A idéia do presidente é não promover nenhuma mudança traumática para evitar novas resistências.
O senador e futuro ministro Élcio Álvares já está em Brasília e deverá acompanhar estas negociações do presidente com a área militar. A intenção é de se dar início ao entrosamento e as reuniões de Álvares com os futuros comandantes: general Gleuber Vieira, no Exército, almirante Chagas Telles, na Marinha, e brigadeiro Brauer, na Aeronáutica.
Nomeado ministro extraordinário da Defesa, Álvares ele toma posse no 1º de janeiro, no Palácio do Planalto, ao lado dos demais integrantes do primeiro escalão do governo.
Com a nomeação e o início do trabalho de instalação efetiva do Ministério da Defesa, o presidente pretende eliminar até mesmo a resistência de Álvares, de assumir de imediato o cargo de um ministério que não existe. O senador preferia tomar posse somente quando o Congresso aprovasse a criação da nova pasta.
Mas o presidente Fernando Henrique está convencido de que isso não é necessário e acha que o início dos trabalhos efetivos é a melhor forma de tornar o ministério uma realidade. Para ele, mais cedo ou mais tarde, o Ministério da Defesa será criado e todos os problemas estarão superados.

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