Brasília - O presidente Fernando Henrique Cardoso informou que convidou os principais candidatos à Presidência para uma reunião, na próxima segunda-feira, porque considera que eles também têm de assumir ''suas responsabilidades'' para contornar a falta de confiança do mercado na economia brasileira, que ele atribui ao processo eleitoral.
''Nós não podemos deixar que haja falta de confiança por causa de uma eleição. A eleição é um processo democrático. O povo decidirá. Mas os candidatos têm que assumir suas responsabilidades. Eu gostaria de vê-los assumindo. Alguns já o fizeram'', disse FHC, sem explicitar nomes, após reunião preparatória da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, no Itamaraty.
Para o presidente, o ''momento'' exige que todos os candidatos ''manifestem seu apoio ao País''. Ele não deixou claro se isso significa um compromisso público e formal do atendimento das metas acordadas com o FMI. Disse apenas que é preciso que os candidatos ''tomem consciência do que está sendo feito e por que está sendo feito''.
Na pauta dos encontros, que ocorrerão separadamente na tarde da próxima segunda-feira, estão a transição de governo e o acordo com o Fundo Monetário Internacional. O Planalto divulgou nota com a confirmação dos encontros com Ciro Gomes (PPS), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Anthony Garotinho (PSB) e José Serra (PSDB).
FHC reforçou a posição governista de que não é a credibilidade econômica que está em jogo, e sim a falta de posicionamento de alguns candidatos.
''Nós hoje dispomos de credibilidade internacional'', afirmou, usando como exemplos os empréstimos concedidos na semana passada pelo Fundo Monetário Internacional (FM)I, Banco Mundial (BIRD) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O problema, na opinião de FHC, é a falta e ter ''uma posição mais bem definida em defesa dos nossos interesses''.
O presidente disse que uma de suas principais responsabilidades é fazer com que o Brasil ''mantenha o que já conquistou e avance mais''.
Juros - O presidente também deixou claro que interessa ao País baixar a taxa de juros, mas que isso só será possível depois da estabilização do câmbio e da reabertura de linhas de crédito.
''Não há nenhuma razão para que isso não ocorra'', disse, excetuando a falta de confiança gerada pela eleição.
''O nosso interesse neste momento é baixar a taxa de juros, na medida do possível. Para que isso seja possível é preciso fazer com que exista uma taxa de dólar mais razoável e que as linhas de crédito sejam restabelecidas'', explicou.

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