Isabel Braga
Agência Estado
De Brasília
Em discurso ontem, no Palácio da Alvorada, durante solenidade em comemoração ao Dia da Pátria, o presidente Fernando Henrique Cardoso disse que a sociedade brasileira clama pelo fim da pobreza e cobrou da classe política um clima de fraternidade para que o Brasil possa avançar. ‘‘Nós não vamos mudar o Brasil se ficarmos o tempo todo nos dividindo, brigando por coisas menores, não respeitando a vontade do outro’’, disse o presidente, em solenidade de premiação do 3º Encontro Cívico Ética e Cidadania.
Ao encerrar o discurso, FHC fez questão de citar e endossar uma frase que ouviu da estudante baiana Valdinéia Novais, um das premiadas no concurso. ‘‘A gente precisa de mais animação’’, afirmou. Durante o discurso, ele citou avanços obtidos pelo seu governo na área da educação e voltou a pedir a ajuda da sociedade para cumprir uma promessa de campanha: colocar todas as crianças brasileiras, de 7 a 14 anos nas escolas.
Segundo o presidente, para continuar avançando em todas as áreas, é preciso ‘‘um espírito de fraternidade’’, que nos leve ‘‘a um entendimento crescente, não em termos políticos, mas em termos objetivos do País’’. E em seguida ele questionou: ‘‘Precisamos ou não manter todas as crianças na escola? Precisamos ou não melhorar o salário do professor?’’ Para Fernando Henrique, se essas e outras medidas são necessárias, não pode haver divisão de esforços.
Estudante da 7ª série de uma escola pública em Pindaí (BA), Valdinéia Novais teve sua frase ‘‘na caminhada para a cidadania, a ética é o primeiro passo a ser dado’’ selecionada pelo concurso promovido pelo Ministério da Educação. Segundo ela, ‘‘não só o presidente, mas o Brasil todo precisa de mais animação; às vezes, talvez até por motivos não muito concretos, as pessoas ficam mal humoradas, mas a gente precisa dar um oba, levantar o astral’’.
O presidente afirmou que a sociedade não aceita mais tanta pobreza no Brasil, ao comentar o conteúdo da maioria das 20 frases sobre ética e cidadania feitas por estudantes de várias escolas públicas do País. ‘‘O modo espontâneo como as crianças disseram, de onde quer que seja o eco, ecoa sempre a mesma coisa: o Brasil cansou de ser uma sociedade onde existe muita pobreza, onde exista falta de compromisso das pessoas com a melhoria da vida, cansou de ver o descaso, corrupção, falta de atenção e de dignidade’’, disse.
Ao defender que ética na cidadania significa dignidade para cada um dos brasileiros, FHC salientou que é por meio da escola, da educação e da família que se constrói uma sociedade melhor. ‘‘Precisamos da ética, precisamos acreditar no Brasil.’’ O presidente chegou a dizer que é preciso que as religiões no Brasil se preocupem ‘‘com a convivência das pessoas’’. ‘‘É fundamental que as pessoas entendam que é preciso uma base de coesão moral, de relação humana, sem o que, por mais que o País cresça, que haja progresso, que possamos enriquecer, não vamos resolver as questões que são fundamentais do ser humano; não se trata apenas de pedir que os de cima façam’’.
Segundo FHC, ‘‘os de cima têm que fazer, mas se cada um de nós não fizer, não vai dar certo’’. ‘‘Se não sentirmos dentro de nós a vontade também de ajudar a mudar, de fazer com que as coisas caminhem, não vai dar certo.’’Em discurso para estudantes, presidente apela para fim de brigas ‘‘por coisas menores’’ para que o Brasil possa avançar
Gervásio Baptista/Agência BrasilSOLENIDADEO presidente entrega prêmio do concurso à estudante Débora Silva (ao fundo, o vice-presidente Marco Maciel)

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