FHC cobra Congresso, mas evita polemizar com ACM
Agência Folha
De Buenos Aires
O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem, em Buenos Aires, que gostaria, como desejo para o próximo ano, que os políticos entendessem que o importante é o País, não o interesse de cada um. Mas aí já são muitas aspirações. Se for possível mudar a vida do povo, eu já estou contente, disse FHC. Ele voltou a cobrar que o Congresso vote medidas antes do recesso de fim de ano e reagiu às declarações do presidente do Congresso, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
ACM disse que a falta de decisão de FHC atrapalha. Antonio Carlos tem um estilo, eu tenho outro. Eu sou presidente da República, ele é do Senado. Se nós nos mantivermos, como temos feito, em nossa esfera de competência, com o nosso estilo, o Brasil avança, disse FHC.
As pessoas não podem ser iguais, não devem. O Congresso aprovou praticamente tudo que eu pedi. De modo que eu não vou mudar de estilo, não, completou. Segundo o presidente, não existem receitas, não adianta ter personalidade desse ou daquele tipo. Ele pregou a tolerância, a coesão social e citou uma frase do próprio ACM: Eu vivo engolindo sapos pelo bem do Brasil. FHC afirmou que só vai definir a pauta da convocação extraordinária do Congresso depois da definição do que será votado pelo Legislativo nesta
semana.
O presidente disse que o Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) é prioritário e precisa ser votado com urgência. Ele lembrou que, quando o Orçamento não é aprovado, o governo pode usar uma fração dos recursos por mês. (Isso) não é bom. É melhor para o Congresso que vote logo o Orçamento (...). Muitas vezes votamos o Orçamento em janeiro, e o mundo não vai acabar por causa disso, completou.
Fernando Henrique estava desde quarta-feira em Buenos Aires, onde participou da posse do novo presidente da Argentina, Fernando de la Rúa. Ele disse acreditar que, ao contrário de Carlos Menem, o novo presidente vai colocar o país em crescimento até o fim do mandato.
O presidente negou que governe o Brasil com uma receita e afirmou que o País tem melhorado seus índices sociais. Quanto mais depressa (as mudanças), melhor. Agora, a sociedade não obedece a um apito. FHC dedicou o fim de semana a passeios em Buenos Aires, retornando ontem à noite ao Brasil





