O presidente Fernando Henrique Cardoso convocou sexta-feira a oposição para discutir saídas para o Brasil enfrentar a crise, logo que termine a disputa eleitoral. Ele fez a exortação em comício em Passo Fundo (RS) a sete dias das eleições, que, de acordo com as pesquisas eleitorais, devem dar-lhe a vitória no primeiro turno. Segundo ele, o País precisa agora da união ‘‘do povo inteiro’’. ‘‘Os políticos sérios deste País, independentemente dos partidos a que pertençam, terminada as eleições, devem deixar de lado a demagogia e a retórica e sentar à mesa para discutir saídas para o Brasil’’, discursou.
Para o presidente, aqueles que se recusarem a participar deste debate serão ‘‘traidores do País’’. Fernando Henrique declarou-se convencido de que, apesar das diferenças eleitorais, os líderes do governo e da oposição saberão compreender o momento e entender ‘‘que o Brasil é maior que as nossas desavenças’’.
Fernando Henrique voltou a criticar o ‘‘palavreado fácil da oposição’’, argumentando que este tipo de procedimento não ajuda o País a se desenvolver. ‘‘Os líderes sérios saberão deixar de lado o palavreado fácil para construir um caminho duro, mas seguro, para o Brasil continuar crescendo.
Esta convocação, reiterou o presidente, será feita terminada as eleições. O comício do presidente em Passo Fundo reuniu o governador licenciado do Rio Grande do Sul, Antonio Brito (PMDB), candidato à reeleição, o senador Pedro Simon (PMDB), também candidato, e os principais líderes do Estado. Estavam presentes também os ministros da Agricultura, Francisco Turra, e dos Transportes, Eliseu Padilha, que tirou dez dias de férias para participar da campanha eleitoral.
O principal mote dos discursos foi o apelo para que os gaúchos ajudem o Fernando Henrique e Britto a se reeleger no primeiro turno. O comício, inicialmente marcado para o Largo da Gare, teve de ser transferido de última hora para o ginásio da Universade de Passo Fundo por causa da chuva que caiu durante todo o dia. O ginásio ficou lotado, com a presença de cerca de 7 mil eleitores.
Fernando Henrique, mais uma vez, voltou a conclamar a população a ‘‘não se perder no passado’’, a ‘‘enfrentar as ondas que estão na frente’’ e ‘‘não ficar olhando para o retrovisor’’. Ele prometeu que, quaisquer que sejam os efeitos da crise financeira internacional, o governo não deixará de investir na agricultura, principalmente no Rio Grande do Sul.
‘‘Não haverá crise que impeça que os recursos sejam colocados a serviço dos produtores’’, disse o presidente. ‘‘Com crise ou sem crise, faremos isto.’’ Para comprovar a disposição, Fernando Henrique lembrou que, no ideograma chinês, a palavra crise e oportunidade andam sempre juntas. ‘‘Isto vai ocorrer no Brasil porque os brasileiros já demonstraram que são capazes de enfrentar os obstáculos.’’
O presidente explicou que voltava ao Rio Grande do Sul porque, graças a Britto, ele podia contar no Estado com o apoio de 11 partidos coligados. Ele lembrou que nunca houve tantos ministros gaúchos como no governo dele, referindo-se aos titulares dos Transportes, Agricultura e Educação, Paulo Renato de Souza, além dos ex-ministros da Justiça Nelson Jobim e dos Transportes Odacyr Klein.

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