FHC chama oposição de tosca
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segunda-feira, 29 de junho de 1998
Wilson Tosta e Gilse Guedes Agência Estado 
O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que são toscas as acusações feitas pela oposição, de que o governo não se preocupa com o social, não gera empregos e promove um modelo de desenvolvimento voltado para o exterior. Segundo ele, a oposição ignora as consequências sociais dos investimentos e não leva em conta a globalização, que obriga as economias a cuidarem dos mercados interno e externo. Chamado recentemente pelo candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de presidente do desemprego, Fernando Henrique citou várias vezes os empregos gerados pelo Programa Brasil em Ação.
Não é uma coisa estanque: aqui está o econômico, aqui está o social, aqui está o político, afirmou. A visão tem que ser muito mais integrada. Em seu pronunciamento, na abertura do 2º Seminário Eixos Nacionais de Integração de Desenvolvimento, sobre o Programa Brasil em Ação, no Hotel Rio Palace, o presidente condenou as contraposições entre desenvolvimento para dentro e para fora, mercado interno e mercado externo, Estado e não Estado. Isso é uma visão muito tosca de nossos desafios, afirmou.
Em um discurso no qual citou o Plano Real, estrela de sua campanha de 1994, em uma ocasião, e repetiu a palavra emprego nove vezes, o presidente analisou, em tom entusiasmado, alguns dos 42 projetos do Brasil em Ação, segundo ele necessários para preparar o País para o novo milênio. Só investimentos feitos pelo programa na Região Sudeste em 1997 e em 1998, afirmou, vão assegurar mais de 626 mil empregos. De acordo com o presidente, está sendo preparada uma vintena de novas iniciativas para dar prosseguimento, em 1999, ao Brasil em Ação, com investimentos de R$ 4,4 bilhões.
Os cálculos são que, nesses projetos de modernização e infra-estrutura, nós tenhamos sempre a preocupação de assegurar emprego e de gerar mais emprego, afirmou. O presidente relacionou várias obras iniciadas ou retomadas por seu governo, como a dos Metrôs do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília, e disparou contra o governador do Distrito Federal, o petista Cristóvam Buarque. Frequentemente, vejo na televisão propaganda do governo de Brasília sobre o Metrô, afirmou. É verdadeira, mas o dinheiro é nosso. FHC afirmou ainda que, somente no setor de telecomunicações, até 2003, serão gerados 5,6 milhões de empregos e investimentos de R$ 440 bilhões.
Porto Antes do seminário, na inauguração da primeira etapa das obras do Porto de Sepetiba, em Itaguaí (RJ), Fernando Henrique disse que somente com a continuidade de suas ações o País irá manter seu rumo. Condenou, em discurso, os que falam em criação de emprego com demagogia e defendeu o modelo econômico adotado em seu governo, porque, segundo ele, foi capaz de impedir que as crises pelas quais o País passou, em razão dos problemas internacionais, provocassem um efeito desastroso para o Brasil.
Porque nós confiamos em nós próprios - nós brasileiros -, voltamos a encontrar lá fora o respeito que é devido, não a mim, como pessoa, mas ao Brasil, como País, disse Fernando Henrique, ao lado governador do Rio, Marcello Alencar, do vice-governador Luiz Paulo Corrêa da Rocha, candidato do PSDB ao governo do Rio.


