LiSge Albuquerque e Gustavo Paul
Agência Estado - De Brasília
O presidente Fernando Henrique Cardoso bateu o recorde de rejeição ao governo federal, desde a administração do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Pesquisa encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) ao Instituto Vox Populi divulgada ontem mostra que, para 65% dos 2.200 entrevistados em todo o País, a atuação do presidente é ruim ou péssima. É o pior índice de popularidade de Fernando Henrique, desde que assumiu o primeiro mandato, e também o mais alto índice de rejeição registrado pela pesquisa CNT/Vox Populi. Até aqui, apenas Collor chegara à marca tão expressiva: 60% de rejeição registrados em agosto de 1992, às vésperas do impeachment.
O presidente da CNT, Clésio de Andrade, afirmou que os índices de rejeição ao presidente poderão aumentar nas próximas pesquisas, caso haja aumento de tarifas ou a aprovação da reforma tributária não seja acelerada. Ele lembrou, entretanto, que o levantamento divulgado ontem foi realizado nos dias 4 e 6, portanto, antes da ‘‘mudança de postura’’ de Fernando Henrique. ‘‘Isso ficou claro na demissão do ministro Clóvis Carvalho, um homem de sua confiança, que demonstrou a desunião de teses do governo, e no lançamento do Programa Avança Brasil’’, considerou.
Para a diretora do Vox Populi Helena Neiva, a queda da popularidade do presidente no momento em que o governo tenta uma virada está ligada à reação de FHC aos protestos da oposição e de setores mais organizados. Ela se referiu especialmente à Marcha dos 100 Mil e ao caminhonaço dos agricultores. O ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga, afirmou que o resultado da pesquisa mostra a dificuldade do governo em se comunicar de modo eficiente com a população. ‘‘O governo não tem divulgado suas idéias e o que ele faz acaba não parecendo uma conquista do povo’’, comentou.
As manifestações contra o governo, que agitaram a Esplanada dos Ministérios em agosto, tiveram o apoio da população: 76% dos entrevistados acreditam que o Planalto agiu errado por não ter ‘‘estudado melhor’’ a questão dos agricultores e por tê-los chamado de ‘‘caloteiros’’. Apenas 15% afirmaram que o governo teve postura correta.
Mesmo apoio foi externado à Marcha dos 100 Mil, que pedia a abertura de uma CPI para investigar a privatização do Sistema Telebrás: 59% dos entrevistados consideraram o protesto justo e que ‘‘deveria ter levado o governo a fazer mudanças’’. Dos entrevistados, 32% consideram, contudo, que a manifestação foi política e que ‘‘não trouxe benefício para ninguém’’.
A pesquisa da CNT trouxe outro recado para o governo: 44% dos entrevistados defenderam o esquecimento, por parte do presidente, das ‘‘exigências do FMI’’. A maioria dos cidadãos ouvidos pelo Vox Populi apontou que o governo está mais preocupado com a execução do acordo de socorro financeiro fechado com o Fundo do que com medidas de interesse do País, como a geração de empregos. Segundo o levantamento, 52% dos entrevistados afirmaram que o governo dá pouca importância à abertura de novos postos de trabalho.

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