Deu resultado a intervenção do presidente Fernando Henrique Cardoso para pôr fim à desavença entre os aliados por conta do número que identificará sua candidatura à reeleição. O presidente disputará um segundo mandato com o número ‘‘45’’ - do PSDB. O PFL, que fincara pé na troca do número dos tucanos por um diferente dos que identificam os partidos no registro da coligação, voltou atrás ontem em reunião com o presidente no Palácio do Planalto.
Resolvida a polêmica entre os partidos aliados, os líderes do PMDB, PFL, PPB e PSDB concordaram em apressar a votação da lei eleitoral que vai regulamentar a eleição de 98. No final da tarde, conseguiram aprovar em plenário um requerimento de urgência urgentíssima para a tramitação da proposta, o que dispensa a manifestação da comissão especial. O relator Carlos Apolinário (PMDB-SP) será convocado a apresentar seu parecer direto ao plenário. ‘‘Vamos votar a lei eleitoral na terça-feira’’, previu o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE). O requerimento foi aprovado por 398 deputados, um voto contrário e quatro abstenções.
‘‘O Aécio se preparou para uma guerra nuclear e encontrou uma brincadeira amistosa de meninos’’, debochou o líder Luís Eduardo Magalhães (BA), ao lembrar que o líder do PSDB, Aécio Neves (MG), reclamara durante a reunião no Planalto de que os aliados queriam destruir o PSDB. O recuo do PFL tem uma explicação. ‘‘Garantimos o fundamental, que é o compromisso de que o presidente se apresentará nos programas de rádio e televisão como candidato da coligação com o PFL, e não do PSDB’’, resumiu mais tarde o deputado Ney Lopes (PFL-RN).
Na conversa com o presidente, o líder Luís Eduardo tratou de separar o que é interesse do governo dos pontos que envolvem disputas meramente partidárias. A briga por conta dos critérios da divisão do tempo de cada partido no horário de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão só será decidida no voto em plenário, mas Luís Eduardo avisou: ‘‘O governo não se mete nisso.’
O que o presidente estimulou ontem foi a discussão sobre a concessão de 30 minutos diários aos partidos, para inserções de 30 segundos a um minuto na programação das emissoras de rádio e tevê. O entendimento geral foi de que isso deve ser abolido do relatório porque só seria útil às oposições. ‘‘A inserção de comerciais no meio da programação torna a campanha muito panfletária’’, argumentou Aécio Neves.
O PFL vai continuar brigando para reduzir o período de campanha eleitoral a apenas 30 dias, contra os 45 propostos pelo relator, mas nem isso merecerá intervenção do Planalto.

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