Ricardo Osman
Agência Estado
Do Acre
O presidente Fernando Henrique Cardoso deu ontem duro recado a aliados que o criticam e à oposição, discursando na praça central de Cruzeiro do Sul (AC), onde foi pela primeira vez, para assinar convênio destinado à liberação de recursos para a construção da rodovia BR-364. Apesar de não citar o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) nem se referir aos atos marcados pela esquerda – que dia 26 faz a ‘‘Marcha dos 100 mil’’ em Brasília, pelo impeachment de FHC – o presidente criticou tanto os que hoje ‘‘estão se enfeitando de democratas’’, mas durante o regime militar ‘‘não saíam de suas casas ou quando saíam era para aplaudir o autoritarismo’’, enquanto ele estava nas ruas ‘‘lutando pela democracia’’, como os que estão indo às ruas contra o ‘‘resultado das urnas’’ e seu mandato.
‘‘O presidente e cidadão que aqui fala com seu povo sem temor algum exige dos partidos, quaisquer que eles sejam, dos cidadãos, que respeitem o resultado das urnas onde o povo escolheu quem vai dirigir o Brasil’’, ressaltou o presidente, diante de uma praça repleta de populares. ‘‘A democracia tem duas mãos, a mão que faz com que o governante respeite o povo e a mão que faz com que o eleito seja respeitado por aqueles que participam do jogo político’’, declarou.
‘‘Hoje nós não vivemos mais nos tempos selvagens, em que não se tinha o direito de palavra, de expressão, de manifestação, mas nós não construímos a democracia para que ela venha a ser minada pela intriga, pelo disse-que-disse, pela corrida infernal a portos que muitas vezes nem existem e lutas partidárias fora de hora.’’ No palanque, FHC levantou os braços com os punhos fechados: ‘‘Nunca descuidei da saúde e da educação’’, disse. ‘‘Nunca se fez tanto pelos mais humildes e pelos pobres.’’
FHC disse, então, que escreveu um artigo indignado quando Chico Mendes foi assassinado, em Xapuri (AC). E que o político autor do texto não mudou: ‘‘O cidadão Fernando Henrique é o mesmo presidente Fernando Henrique’’, disse. ‘‘Se iludem os que querem fazer distinção’’, disse.
Ao final, FHC atacou quem duvida do sucesso de seu governo. ‘‘Quem anda pelo Brasil sente que o Brasil está melhorando’’, disse. ‘‘A não ser para os nefelibatas que ficam se divertindo pensando que o Brasil está indo para situação cada vez pior. Ao contrário, este é um País que avança, vai para frente’’, acrescentou. Segundo o dicionário, nefelibata é quem anda ou vive nas nuvens.Presidente critica quem hoje se ‘‘enfeita de democrata’’ mas aplaudia o autoritarismo enquanto ele lutava pela redemocratização
Milton Michida/Agência EstadoEQUILÍBRIOFernando Henrique (ao lado do governador Jorge Viana, do PT): democracia tem duas mãos, que determinam respeito ao povo e ao governante

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