O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que não tem medo ‘‘de máfias’’ ou ‘‘de clientelismo’’ e que não depende de parlamentares que defendem ‘‘interesses escusos na utilização de recursos’’ públicos. Disse ainda que tem apoio político justamente pelo contrário.
FHC afirmou que ‘‘quem tiver que ser demitido, vai ser demitido, com toda tranquilidade’’, caso fique provado que fez má utilização de recursos públicos. Questionado em seguida se a afirmação caberia para o caso do DNER, ele respondeu: ‘‘Cabe’’. Há uma semana, foi revelado um esquema envolvendo diretores do DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem) em supostas contratações irregulares de empreiteiras e uso de jatinhos e helicópteros dessas empresas para vistorias de obras públicas. Desde então, o PMDB - responsável pela maior parte das indicações no órgão - vem fazendo pressões para evitar a queda de alguns diretores. O diretor-geral do DNER, Maurício Borges, é afilhado político do deputado Newton Cardoso (PMDB-MG).
Segundo o presidente, as demissões que forem necessárias serão feitas ‘‘sem perseguição’’. ‘‘Desde que seja pelo bem público, desde que seja para ser substituído por alguém que responda melhor, e não simplesmente para atender a vontades políticas aqui ou ali.’’ As afirmações do presidente foram feitas durante o lançamento do novo sistema de pagamento de atendimento hospitalar, o PAB (Programa de Atenção Básica), que troca o repasse de verbas por atendimento realizado pelo repasse per capita (leia na pág. 8).
‘‘Que ninguém se iluda que (a reestruturação) vai avançar mais’’, afirmou o presidente. Segundo ele, os recursos são escassos e têm de ser bem aplicados. ‘‘Não se pode imaginar que o Tesouro seja um saco sem fundo.’’ Num único momento, o presidente buscou amenizar as críticas à classe política brasileira. Segundo ele, ‘‘as questões estão mudando (...) e cada vez mais os políticos se preocupam com as políticas (...) e não com o cargo, não com quem vai estar exercendo o cargo, mas com o que o político está fazendo ao exercer o cargo’’.
Ministros A 14ª e última reunião ministerial do ano será aberta hoje, às 13 horas, na Granja do Torto, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. O presidente fará um balanço do ano, previsões para 98 e pedirá austeridade aos ministros. Com uma proposta orçamentária mais realista, acertada com os parlamentares, que reduziram o número de emendas apresentadas no Congresso, o Ministério da Fazenda poderá liberar os recursos dos Ministérios conforme a programação estabelecida.

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