FHC assume crise e prestigia Malan
Gerson Camarotti
Agência Estado
De Brasília
Em encontro ontem com ministros e principais lideranças do PPB, o presidente Fernando Henrique Cardoso assumiu ontem a responsabilidade pela condução da economia, e desmentiu que pretenda fazer alterações no Ministério da Fazenda. O Malan continua forte, disse. Até porque hoje quem ditou a política econômica fui eu, disse. Todas as medidas duras tomadas pelo Malan têm sido em sintonia comigo.
Participaram do encontro os ministros Francisco Dornelles (Trabalho) e Pratini de Moraes (Agricultura), os deputados Delfim Netto (SP), Pedro Corrêa (PE) e Odelmo Leão (MG), além do líder do PPB no Senado, Leomar Quintanilha (TO).
Fernando Henrique voltou a elogiar o Congresso e minimizou as notícias de que estaria havendo um afastamento da base aliada. Só fico lendo notícias de que os partidos ameaçam deixar a base, mas nas votações todos têm sido corretos no apoio ao governo, disse, antes de cobrar a conclusão das reformas.
O presidente criticou a proposta do PMDB de combater a elisão fiscal, que, segundo o presidente do partido, senador Jáder Barbalho (PA), atinge a casa dos R$ 825 bilhões que deixam de ser taxados pelo fisco. Sonegação existe no mundo todo, mas esse valor é exagerado já que é igual ao PIB brasileiro, declarou Fernando Henrique.
Num dia em que os jornais publicavam mais uma pesquisa indicando a queda de sua popularidade, o presidente amenizou os números. A pesquisa demonstra apenas um momento, avaliou o presidente. Não é por isso que devemos desviar o rumo do governo, comentou Fernando Henrique, segundo o relato dos presentes. No encontro, ele disse que sua prioridade será retomada do desenvolvimento e a geração de empregos.
Ao lado dos ministros do Trabalho e Agricultura, Fernando Henrique enfatizou que o investimento na agricultura será uma prioridade para combater o desemprego. No encontro, ele anunciou que irá reativar o Pró-Álcool, subindo para 26% a quantidade de álcool na gasolina, e para 3% no óleo diesel.
O presidente também aceitou a sugestão de lideranças do PPB de suspender temporariamente os efeitos do Cadastro de Inadimplentes (Cadin). O pedido do PPB, encaminhado pelo deputado Delfim Netto (SP) é para suspensão por 90 dias da aplicação das restrições a inadimplentes do Cadin, e tem por objetivo permitir que as empresas que estão se lançando à exportação possam obter linhas de crédito. Isso permitirá que as pessoas possam reestruturar suas empresas junto às entidades de crédito, observou o vice-presidente do PPB, Pedro Corrêa.
O presidente disse ainda que é preciso facilitar as exportações, reduzindo a carga de impostos desses produtos. Ele fez a defesa da retomada do desenvolvimento e da produção, relatou o líder do partido, deputado Odelmo Leão, acrescentando que Fernando Henrique defendeu a redução dos juros. Por fim, Fernando Henrique também admitiu fazer ajustes na área trabalhista para que haja um entendimento entre patrões e empregados de que o negociado tenha predominância no legislado.





