Agência Estado
O governo usou a solenidade de anúncio do Plano Agrícola da safra 1999/2000 ontem (leia mais em Agribusiness) para desmentir os boatos de demissão do ministro da Agricultura, Francisco Turra. O presidente Fernando Henrique Cardoso convocou a imprensa e vários ministros na sala de audiência do gabinete do Palácio do Planalto para prestigiar o ministro Turra.
Notícias sobre a demissão do ministro do PPB estão sendo publicadas há pelo menos dois meses. Inicialmente, a saída de Turra seria uma das prioridades do presidente para a reforma ministerial que governo intencionava fazer em julho. Ao ser provocado por jornalistas, ao final da solenidade, o presidente rebateu irritado a informação de que Turra deixaria o governo. ‘‘Já respondi isso dez vezes; não inventem mais nada, por favor!’’, reagiu.
Além de Turra, estavam presentes os ministros da Fazenda, Pedro Malan; da Casa Civil, Clóvis Carvalho; de Orçamento e Gestão, Pedro Parente e de Política Fundiária, Raul Jungmann, que chegou quando o presidente já havia começado o seu discurso. Depois da solenidade, Francisco Turra disse estar tranquilo. ‘‘O presidente não assinou carteira para mim, por isso eu sei que há um momento que a gente chega no governo e um momento que a gente sai dele’’, disse Turra. ‘‘Acho que um ministro que fica esperando ser demitido ou esperando sair, é um ministro já demitido’’, respondeu o ministro com ironia.
Ele atribuiu os boatos de sua demissão ao bom desempenho da pasta. ‘‘O Ministério da Agricultura tem um atrativo especial porque, na agenda positiva, efetivamente figurou. Agora, o presidente não precisa que eu ofereça o meu cargo, já que o cargo é dele’’, afirmou.
Há duas semanas - antes de uma viagem do ministro - FHC garantiu a ele a sua permanência no governo. ‘‘Não se preocupe com essas notícias, pois estou muito satisfeito com o seu trabalho’’, disse Fernando Henrique.
Apesar da informação sobre a manutenção de Turra, as palavras do presidente não foram recebidas como uma garantia de que o ministro ficaria no governo. Até porque numa situação semelhante, o então ministro da Agricultura e hoje senador Arlindo Porto (PTB-MG), foi surpreendido com a notícia de sua demissão quando fazia uma viagem para a Austrália.
Foi preciso uma forte reação do PPB para que houvesse uma garantia formal do presidente sobre a permanência do ministro da Agricultura. Numa longa conversa anteontem, Fernando Henrique assegurou ao vice-presidente do PPB, deputado Pedro Corrêa (PE), que não iria tirar do seu governo nem Turra, e muito menos o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles. Do presidente, o deputado pernambucano ouviu a promessa de que não haveria qualquer mudança dos cargos do PPB no governo.
O governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), disse ontem que a aliança partidária que dá sustentação ao governo FHC já cumpriu o seu papel e os partidos não devem fazer indicações para uma provável reforma ministerial. ‘‘O presidente dá suas diretrizes e cabe aos partidos segui-las’’, afirmou. Para Jereissati, ‘‘a decisão de escolher ministros é exclusiva do presidente que deve tomá-la com base na competência e não em indicações partidárias’’. Jereissati é de opinião que a reforma ministerial ‘‘pode não ser necessária, mas é oportuna’’.Presidente diz, durante solenidade, que não mexe no Ministério da Agricultura, e desmemte boatos sobre reforma
João Paulo Lacerda/AEApaziguandoFernando Henrique cumprimenta Turra: ‘‘Já respondi isso dez vezes; não in ventem mais nada, por favor!’’ sobre demissão

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