FHC aproveita clima e vai ao Rio
J. Paulo da Silva
Agência Estado
O presidente Fernando Henrique Cardoso passará a segunda-feira no Rio, onde o cenário político começou a se tornar favorável à sua reeleição, com a possibilidade de aliança dos partidos que no plano nacional fazem parte da sua base de apoio: PFL, PSDB, PPB e PMDB. Além dos compromissos oficiais - participa da abertura da Conferência Mundial sobre Implantação do Sistema de Comunicações, Navegação, Vigilância e Gerenciamento do Tráfego Aéreo e do 10º Fórum Nacional do Instituto Nacional de Altos Estudos - Fernando Henrique será informado pelo presidente do PFL, Jorge Bornhausen, sobre as negociações para a formação de uma grande frente no RJ.
Menos de 24 horas depois de o governador Marcello Alencar (PSDB) anunciar a sua desistência à reeleição, Bornhausen chegou ao Rio ontem com a missão de costurar a aliança dos partidos governistas. A tarefa inicial é unir ao ex-prefeito César Maia, candidato do PFL ao governo do Estado, o PSDB de Marcello Alencar sem provocar mais desgastes ao governador que possam prejudicar o presidente Fernando Henrique.
Maia lidera, com o candidato do PDT ao governo do Rio, Anthony Garotinho, as pesquisas de intenção de votos, e a idéia dos governistas é fortalecer ainda mais a candidatura do ex-prefeito e melhorar a pontuação de Fernando Henrique no Rio. As consultas indicam uma ligeira vantagem para o candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva.
Na avaliação de tucanos e pefelistas a intervenção da direção nacional na executiva fluminense racha o partido e pode prejudicar a candidatura de Garotinho. O pedetista pode não ter o apoio da ala contrária à aliança com o PDT. Este quadro é favorável não só a César Maia como também ao próprio Fernando Henrique. Unindo as forças do PSDB, PFL, PPB e alguns setores do PMDB, o presidente poderá melhorar a sua performance, aumentando os seus percentuais nas pesquisas de intenção de votos.
Hoje haverá nova rodada de conversações. Bornhausen se reunirá com os principais caciques pefelistas fluminense para traçar a estratégia de campanha de César Maia, sempre de olho no benefício que ela possa trazer ao presidente.
O maior problema, ainda na avaliação de tucanos e pefelistas, é encontrar uma saída honrosa para, sem provocar danos à campanha do presidente, retirar a candidatura do vice-governador Luiz Paulo Corrêa da Rocha, que substituiu Alencar. Uma das soluções que está sendo estudada refere-se à questão judicial: Corrêa da Rocha teria de se desincompatibilizar no dia 4 de abril e portanto, não poderia mais ser candidato. Isso começará a ser tratado hoje por PSDB e PFL.

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