O presidente Fernando Henrique Cardoso apresenta nesta semana um plano de investimentos de R$ 61,9 bilhões e uma lista de projetos em tramitação no Congresso sobre os quais o governo pretende centrar fogo para aprovar ainda neste ano. Esses são os dois componentes do plano de governo, que tem múltiplos objetivos: lembrar que há muito a fazer nos dois últimos anos de mandato, aglutinar a base aliada em torno de uma proposta, aproveitar o último ano legislativo útil (em 2002 a sucessão monopolizará os debates no Legislativo) para concluir as reformas iniciadas em 95, calar as críticas sobre a falta de atenção do governo para a área social e, no campo econômico, colocar em pauta uma agenda de desenvolvimento como consequência do programa de ajuste fiscal.
O plano de governo está sendo preparado para ser apresentado pelo presidente aos líderes dos partidos aliados no Congresso na terça-feira. A intenção já anunciada pelo presidente é definir as linhas da reforma ministerial a partir do compromisso dos partidos com esse programa. ‘‘Errará quem apostar em mudanças, em novidades. O programa vai focalizar o que temos de relevante a ser feito nos próximos dois anos’’, adiantou um assessor palaciano.
O presidente quer usar o plano para orientar o ministério, independentemente de seus ocupantes, que serão em grande parte substituídos em janeiro, para lançamento de candidaturas nas eleições de 2002. ‘‘O presidente vai dar o recado: independentemente do personagem, a agenda do governo é esta’’, resumiu o assessor.
Os assessores do presidente que trabalham na elaboração do plano de governo admitem que não haverá nenhuma novidade ‘‘bombástica’’ sobre o que já se conhece das prioridades do governo. ‘‘O impacto será dado pelo dinheiro, pelo valor dos gastos que anunciaremos’’, disse um desses assessores. Os R$ 61,9 bilhões serão gastos no Projeto Alvorada e o Plano Nacional de Segurança Pública, além de mais 50 projetos considerados estratégicos.
O governo também pretende insistir na reforma política, que já está em discussão no Congresso. A principal alteração é a criação de regras para mudança de partido, fim das coligações e a chamada cláusula de barreira (que compromete a sobrevivência de partidos nanicos, criados para lançar candidatos sem estrutura partidária).

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