FHC aposta que reforma derruba juros
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quarta-feira, 02 de dezembro de 1998
Tânia Monteiro Agência Estado 
O presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a condicionar a queda das taxas de juros à conclusão da reforma da Previdência e à aprovação do ajuste fiscal. Para ele, a aprovação das medidas implicará na diminuição do déficit do Tesouro e na consequente redução dos juros. Em discurso ontem na abertura do Seminário Internacional sobre Reforma da Previdência, o presidente pediu ao Congresso que aprove esta semana, ou no máximo na próxima semana, a reforma previdenciária.
Segundo ele, o atual sistema previdenciário está sentado em pés de barro e privilegia parlamentares e o Judiciário. Ele defende que o novo sistema previdenciário ampare os trabalhadores que ganham até R$ 1 mil ou R$ 1,2 mil. A partir desse teto, tanto o setor público como o privado teriam suas previdências complementares. Outra proposta da nova previdência, lembrada por Fernando Henrique, foi a criação de uma espécie de conta individual de contribuição previdenciária do trabalhador.
Assim, na sua opinião, o empregado poderia fiscalizar as aplicações e controlar se há sonegação ou peculato por parte do empregador. A instituição da conta individual de contribuição previdenciária é um dos pontos da segunda etapa da reforma da Previdência que o governo pretende encaminhar ao Congresso assim que for concluída a votação da emenda constitucional, projeto que vinha sendo conduzido pelo ex-presidente do BNDES, André Lara Resende.
Se o governo não tivesse tomado as medidas que tomou e está tomando, em dez anos haveria absoluta inviabilidade macroeconômica do País, disse FHC. Segundo ele, os déficits crescentes do Tesouro afetam diretamente as taxas de juros. É fácil imaginar que, havendo previsão de déficits crescentes, as taxas de juros sobem e, havendo a previsão de que o governo está ajustado, as taxas de juros caem, disse ele, acrescentando que isso depende em grande parte da capacidade do País de enfrentar a questão da Previdência.
Ao falar sobre os privilégios concedidos a determinados setores mais acomodados da sociedade, que se aposentam mais cedo e com salários mais altos, o presidente apresentou dados comparando as diferenças brutais entre as aposentadorias pagas pelo setor privado e o público. O presidente informou que a média de aposentadoria no setor privado (60%) é de dois salários mínimos. No setor público, a média é de 13-14 salários mínimos. E os parlamentares, para não falarmos do Judiciário, é de cerca de 30 salários mínimos. Para ele, há uma distribuição desigual de vantagens que não têm relação direta com a contribuição.
FHC comentou ainda que a aposentadoria no setor público não vai além dos 50 anos de idade e que a esperança de vida é muito maior. Ele questionou a regra que permite às mulheres se aposentarem mais cedo do que os homens. Ocorre que as mulheres são mais longevas que os homens, se aposentam mais cedo e recebem por mais tempo o benefício da aposentadoria ou as pensões de vários tipos, afirmou. O presidente disse que o déficit vem das contas da Previdência, que chegam a R$ 18 bilhões. O governo arrecada R$ 2 bilhões e paga R$ 20 bilhões, declarou.


