O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ao líder do PSDB na Câmara, deputado Aécio Neves (MG), estar otimista em relação ao desempenho de seu partido em 1998 e espera eleger 12 governadores - além dos sete atuais, garantir novos cinco. Além do Paraná, onde o PSDB deve lançar a candidatura do ex-governador e presidente da Telepar Álvaro Dias, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Roraima são citados na reportagem como os estados onde os tucanos consideram as ‘‘candidaturas fortes’’. A informação foi publicada ontem pelo ‘‘Jornal do Brasil’’, do Rio de Janeiro.
Em entrevista à Folha, Aécio Neves disse que ele e o presidente reconhecem as divergências entre PSDB e PFL no Paraná. O líder do PSDB defende projeto próprio para os tucanos. ‘‘E o Estado tem possibilidade real de eleger o Álvaro Dias’’, analisou. Neves disse respeitar o governador Jaime Lerner, ‘‘mas a cúpula nacional respeita ainda mais as decisões regionais do PSDB’’.
Aécio se reuniu com Álvaro Dias na semana passada, em Brasília, quando o ex-governador declarou que ainda está avaliando a possibilidade de disputar o governo do Estado. ‘‘A decisão é dele, mas se ele for candidato terá todo o apoio do PSDB’’, prometeu.
Álvaro Dias disse que o resultado da conversa entre o presidente Fernando Henrique e seu líder na Câmara ‘‘acaba de vez com a especulação de que pode ocorrer pressão do presidente para uma composição entre PSDB e PFL’’. Ele disse, porém, que não pretende ‘‘exigir posição a ponto de constranger os aliados. Se o presidente não vier ao Estado, terá a nossa compreensão. Não podemos pensar apenas no nosso projeto’’.
Apesar das declarações de entusiasmo e do ‘empurrão’ da cúpula tucana, Álvaro evita escancarar seu futuro político. ‘‘Continuo insistindo na seguinte tese: quem deve nos orientar é a opinião pública. Até porque quem decide eleição é a opinião pública’’.
Álvaro lembrou de pesquisa recente do Instituto Datafolha que dá empate entre ele e Lerner, mas é cauteloso. ‘‘Esse é o indicativo do momento, mas temos que aguardar esse tempo que ainda nos separa das convenções para verificar a consistência dessa tendência. Se é sólida e irreversível ou se é reversível’’, explicou. ‘‘Se fosse hoje, sim, a candidatura seria para o governo do Estado. Mas vamos observar o comportamento da opinião pública. Não sei que tipo de reflexo haverá com essa verdadeira massa publicitária do governo do Estado. Eu jamais vi algo semelhante’’, acusou.
Para Álvaro, a frente de oposições que está se formando no Estado deve saber distinguir o pleito nacional do estadual. ‘‘A frente tem que ter a consciência de que é possível administrar a ação política de cada um. A convergência deve ser em relação ao projeto estadual’’, defende.

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