FHC aposta em empregos no turismo
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segunda-feira, 27 de julho de 1998
Christiane Samarco Agência Estado 
O programa de governo do candidato Fernando Henrique Cardoso elegeu o turismo e a cultura como áreas que receberão investimentos para gerar empregos. O balanço das ações do governo nos últimos quatro anos aponta o turismo e cultura como setores estratégicos. Só o Programa de Desenvolvimento Integrado do Turismo no Nordeste (Prodetur) vai gerar 1,7 milhão de empregos diretos e cerca de 2,2 milhões de empregos indiretos até o final do ano que vem.
A importância da indústria cultural e do turismo é que eles já empregam muito e irão empregar muito mais, resumiu o coordenador do programa da reeleição, professor Carlos Américo Pacheco. Ele apresentou ontem, no comitê central da campanha, os cadernos com a prestação de contas das atividades do governo em oito setores.
Pelo relato, o turismo é responsável por 6 milhões de empregos no Brasil. Os projetos da área incluem obras de saneamento, abastecimento de água, recuperação de rodovias e aeroportos que, no caso do Prodetur, já beneficiaram mais de 100 municípios e geraram 506 mil empregos diretos nos últimos três anos. O turismo doméstico teve um crescimento de 15% e o governo também está investindo na atração de turistas estrangeiros. Tanto que os recursos destinados ao marketing pela Embratur aumentaram de R$ 3,6 milhões em 1995 para R$ 21 milhões este ano.
O governo também vai investir na indústria cinematográfica e o objetivo é aumentar de 5% para 20% a participação do cinema brasileiro na bilheteria. Com isto, espera-se que a exportação de imagens salte dos atuais R$ 40 milhões para R$ 160 milhões. Segundo Pacheco, a ação do ministério da Cultura nos últimos três anos induziu um aumento de 6% para 100% da utilização da quota da renúncia fiscal do governo para as empresas que investem em cultura.
O relatório não apresenta números mas aposta na expansão do setor para empregar mão-de-obra especializada. A perspectiva dos novos empregos toma por base a experiência norte americana, onde, segundo o caderno, o cinema gerou 250 mil novos postos de trabalho.
Além do turismo e da cultura, foram divulgados ontem os livretos da reforma agrária, reforma da administração pública, política externa e direitos civis. Este último item foi desdobrado em três cadernos, detalhando os programas específicos para atender às populações de negros, de índios e de mulheres.
Na reforma agrária, Pacheco disse que a administração FHC fez mais do que os governantes dos últimos trinta anos: ultrapassou em 20 mil assentamentos a meta de assentar 280 mil famílias até o fim deste mandato. O governo realiza hoje uma média de 9 mil assentamentos por dia e um em cada quatro títulos de posse é conferido a mulheres que são chefes de família.
O governo comemora o fato de a população indígena ter aumentado no Brasil. Nos últimos dez anos, a taxa média de crescimento foi de 3,1%. A da população não-índia foi de 1,8%. Conforme o governo, a população indígena aumentou de cerca de 220 mil, em 1985, para mais de 325 mil em 1997, um crescimento de 48% em pouco mais de dez anos. Segundo dados do governo, existem no momento no País 210 povos indígenas, falando 170 línguas diferentes. O governo afirma que nos últimos quatros anos obteve-se um total de 30 milhões de hectares demarcados, distribuídos em 105 áreas.Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)VisitaFHC recebeu ontem em Brasília o presidente eleito do Equador, Jamil MahuadCadernos de ação também elegem cultura para receber mais investimentos capazes de ampliar postos de trabalho


