FHC anuncia primeiro superministério
O presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou ontem em Brasília a criação do Ministério do Desenvolvimento - o primeiros dos super - defendido pelos empresários críticos dos juros altos, mas disse que a nova pasta não vai se contrapor à atual política econômica. Durante discurso para uma platéia de empresários, FHC afirmou que não podia prometer, para 1999, um ano de facilidades. Prometo um ano de dureza, mas não uma dureza de quem tem um coração insensível.
Para ressaltar que o próximo ano será de dificuldades e que ele combaterá o déficit fiscal custe o que custar, o presidente citou um comentário do empresário Antonio Ermírio de Moraes, que havia discursado antes. Antonio Ermírio falou em sangue, suor e lágrimas, talvez sem sangue, eu espero, pelo menos o meu, disse FHC, em tom de brincadeira, acrescentando: Mas com muito suor e lágrimas também, porque é muito difícil cortas despesas.
O presidente disse ainda que, se dependesse dele, a taxa de juros seria de 1%. Ele chegou a afirmar que seria um desafio a Deus se alguém tivesse a condição de dizer: baixem os juros, e os juros baixassem. Segundo FHC, a pessoa que tivesse essa condição (de baixar os juros por decreto) estaria desafiando Deus porque poderia condicionar o comportamento de toda a humanidade.
Sobre o novo ministério, FHC disse que ele englobará uma série de instituições de fomento, como o BNDES, o Banco do Nordeste e o Banco da Amazônia. O presidente disse que a nova pasta, no entanto, não irá se contrapor à política macroeconômica do governo, estabelecida por ele. (O novo ministério) não pode ser pensado como um pólo contrário àquilo que é decisão do presidente da República. Até porque só os ilusos imaginam que, num governo em que o presidente é eleito e tem o apoio congressual, seja possível (haver) definições cruciais sem que elas signifiquem a vontade do presidente.
A nova pasta, que poderá ter um nome mais amplo (como Ministério do Desenvolvimento, do Comércio e da Indústria), irá manter um canal de comunicação aberto e desimpedido com o setor produtivo, para escutar suas demandas e buscar em parceria as soluções, afirmou o presidente. O presidente não citou outros órgãos que irão compor a futura pasta, mas disse que ela, além da reestruturação produtiva, irá cuidar do setor exportador - o que deve significar a absorção da Camex (Câmara de Comércio Exterior), hoje na Casa Civil.
O ministério poderá ainda assumir algumas tarefas desenvolvidas hoje pela Subsecretaria de Assuntos de Integração, Econômicos e de Comércio Exterior do Ministério das Relações Exteriores. Em suma, faremos o que todo Estado moderno e desenvolvido faz em defesa do seu setor produtivo e dos empregos para a sua população, disse o presidente.
O presidente aproveitou o discurso, para uma platéia de quase 300 empresários reunidos na CNI (Confederação Nacional da Indústria), para assumir responsabilidade total na condução da política macroeconômica e afirmou que a vontade do presidente está por trás das decisões (da equipe econômica).
Antônio Ermírio defendeu, no encontro, a imediata indicação do ministro do Desenvolvimento, mas descartou que será indicado por FHC para o cargo. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, declarou: Nós queremos um interlocutor legítimo com o governo, disse. Hoje, temos que falar com meia dúzia de ministros e queremos apenas um, sem criar confronto com o Ministério da Fazenda.Wilson Pedrosa/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Canal amploFHC cumprimenta o empresário Antônio Ermírio de Moraes (ao centro, o presidente do Conselho Empresarial Brasil 500, Félix Bulhões)William França
e Renata Giraldi
Agência Folha





