FHC anuncia novo ministério no dia 23
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sábado, 19 de dezembro de 1998
Rosa Costa e Renato Andrade Agência Estado 
O presidente Fernando Henrique deve anunciar na próxima quarta-feira as mudanças na estrutura dos ministérios e os nomes dos ministros que vão compor a nova equipe de governo. O anúncio será feito antes da entrevista coletiva que FHC concederá no Palácio do Planalto, segundo informou um integrante da comitiva que ontem acompanhou o presidente à inauguração da Hidrelétrica de Igarapava (na divisa de Minas Gerais com São Paulo). Segundo ele, a data só será adiada para depois do Natal se houver dificuldades nos entendimentos que o presidente espera fechar neste final de semana. A possibilidade, previu, é pouco provável, porque a questão está sendo bem encaminhada.
Neste final de semana, Fernando Henrique permanecerá em Brasília conversando com políticos de sua base aliada. O presidente já confirmou nos cargos os ministros da Fazenda, Pedro Malan; do Gabinete-Civil, Clóvis Carvalho; da Saúde, José Serra; da Educação, Paulo Renato, e das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia. De acordo com o informante, todos os ocupantes do primeiro escalão colocaram os cargos à disposição do presidente. Seja por carta, como fizeram os ministros civis, ou pessoalmente, como os militares.
A fonte assegurou que esse tipo de procedimento é comum no meio militar e sob nenhuma hipótese deve ser vista como uma espécie de rebeldia contra a substituição das atuais pastas militares - que serão extintas - pelo Ministério da Defesa. Eles (ministros militares) são muito disciplinados, observou.
O auxiliar do presidente disse que não há dúvidas quanto à juridicidade em submeter ao Congresso leis complementares para extinguir os ministérios militares e medidas provisórias para criar as novas pastas. Tampouco vê impedimento no fato de o presidente anunciar o nome do ministro da Defesa, antes de a pasta ser criada. O assunto provavelmente será incluído na pauta da convocação extraordinária do Legislativo, que reiniciará suas atividades no próximo dia 4.
A oposição deve reagir contra a utilização desses mecanismos, a exemplo do que fez em situações semelhantes, por entender que a Constituição só pode ser modificada pela aprovação de emendas constitucionais. Mas a bancada aliada não deve criar problemas. Pelo menos da parte dos parlamentares cujos partidos estiverem satisfeitos com o loteamento dos cargos do primeiro escalão.
Uma das saídas para o presidente agradar à maioria da sua base é a de indicar para o futuro Ministério do Desenvolvimento alguém neutro no quadro político, que não esteja engajado especialmente com nenhum partido. E é esse o fato que contribuiu para aumentar a cotação para o cargo da diretora-superintendente da Companhia Siderúrgica Nacional, Maria Silvia. Ela era aguardada na comitiva presidencial ou entre os empresários, mas não apareceu ontem na inauguração da hidrelétrica. Estavam com o presidente os ministros das Minas e Energia, Raimundo Brito; do Trabalho, Edward Amadeo, e os interinos das Comunicações, Juarez Quadros, e da Fazenda, Pedro Parente, além de Clóvis Carvalho.
Os aliados estavam representados em peso na comitiva, com os líderes na Câmara do PSDB e do PFL, deputados Aécio Neves (MG) e Inocêncio Oliveira (PE); e dos líderes no Senado do PSDB, PFL e PPB, senadores Sérgio Machado (CE), Hugo Napoleão (PI)e Leomar Quintanilha (TO), além dos líderes do governo no Senado, Élcio Alvares (PFL-ES) e no Congresso, José Roberto Arruda (PSDB-DF) e outros parlamentares.
Os que não têm ligação com as áreas favorecidas pela nova hidrelétrica estavam ali na condição de caronas do Boeing presidencial. Queriam de fato era chegar a Salvador para presenciar, ontem ao lado de FHC, a inauguração do memorial em homenagem ao líder do governo na Câmara, deputado Luís Eduardo Magalhães, que morreu em abril último.


