Agência Estado
De Brasília
O presidente Fernando Henrique Cardoso anuncia hoje o valor do novo salário mínimo. A decisão foi tomada após negociação conduzida pelo presidente com os líderes dos partidos aliados no Congresso, que serão recebidos na tarde de hoje no Palácio do Planalto.
O presidente e a equipe econômica vão sustentar a proposta de um salário mínimo para a Previdência Social e o setor público federal de 150 reais, a partir de abril.
Ao mesmo tempo, o governo vai enviar ao Congresso um projeto de lei complementar criando uma ‘‘banda’’ de até 30 reais adicionais ao mínimo para servir de piso ao setor privado. O valor do piso salarial em cada Estado – que poderá chegar aos 180 reais propostos pelo PFL – será fixado por lei aprovada pelas assembléias legislativas. ‘‘Teremos um piso nacional, que vai valer para a Previdência Social, e as bandas estaduais, que os governadores irão negociar com as assembléias legislativas’’, resumiu o líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG).
Informados da estratégia do presidente, os líderes dos partidos aliados mobilizaram-se ontem no sentido de exercer a pressão final sobre o governo para tentar engordar um pouco o valor do salário mínimo a até 160 reais.
Um interlocutor de Fernando Henrique conta que foi o apoio fechado do PMDB que permitiu a operação para antecipar o mínimo. Tudo porque os peemedebistas estavam irritados com os efeitos eleitorais da ‘‘demagogia do PFL em defesa dos 180 reais’’. Em parceria nos bastidores, PMDB e Planalto acertaram o xeque-mate que o presidente nacional e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), deu no presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (BA), nesta semana.
Diante da pressão pública de ACM, Barbalho mandou uma carta ao presidente, pedindo que pusesse um ponto final nos desencontros da base e esclarecesse de vez qual a cifra-limite do governo. Nas conversas de ontem, Neves pediu ao presidente que surpreendesse os aliados com a proposta de 155 reais no encontro de hoje.
Ao mesmo tempo, porém, trabalhava para amarrar a bancada à decisão do governo, independente de valor. ‘‘Não vamos fugir do discurso da responsabilidade fiscal, da queda da inflação e da taxa de juros que aponte para baixo, podendo cair dos atuais 19% para 12% até o fim do ano’’, argumentava o líder tucano.