Agência Estado
De Brasília
O presidente Fernando Henrique Cardoso anunciará até quarta-feira as mudanças no ministério e as diretrizes do que está chamando de ‘‘nova etapa’’ do segundo governo. A informação foi dada ontem pelo próprio Fernando Henrique ao líder no Congresso, Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), pouco antes de o presidente embarcar para São Paulo. De acordo com o líder, o presidente não mencionou nomes e apenas confirmou a intenção de enxugamento da máquina pública. ‘‘No dia seguinte, o governo amanhecerá menor, mais enxuto’’, disse Fernando Henrique, segundo o líder do governo no Congresso.
O líder do governo destacou que o presidente tem até um roteiro para este pronunciamento. ‘‘Ele dirá: ‘Meu governo foi atrasado pela crise econômica e tive de reafirmar o combate à inflação e a luta pela moeda forte; agora, vou cumprir as promessas de campanha, de crescimento econômico com geração de empregos’’, contou Virgílio Neto. Além disso, a ‘‘inauguração’’ do segundo mandato também inclui o ‘‘novo estilo’’ do presidente, de responder a críticas no ato e tomar decisões mais rápidas, como no caso da demissão da diretoria do Banespa.
O líder garante que o presidente não irá ceder às pressões dos diferentes líderes dos partidos que apóiam o governo para manter ou tirar ministros e secretários. ‘‘Ele irá agir de maneira bem presidencialista’’, avisou o líder. Entre as mudanças no ministério, está a extinção de algumas secretarias criadas por Fernando Henrique no início do segundo mandato.
A justificativa é a superposição de tarefas. Segundo Virgílio, um exemplo de superposição de órgãos no governo é o da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, dirigida por Sérgio Cutolo. ‘‘Ela trata de saneamento, assim como a Caixa (Econômica Federal)’’, disse. Além dessa secretaria, outra que deve estar na mira do presidente é a de Políticas Regionais, ocupada pelo peemedebista Ovídio de Ângelis.
Para Virgílio, o presidente saberá manter o equilíbrio necessário entre os partidos da base aliada nas mudanças que anunciará. ‘‘Não vejo no presidente a intenção de desbaratar a frente que o apóia, agora que está saindo da crise econômica’’, disse, respondendo à pergunta sobre se os tucanos estariam tentando eliminar os peemedebistas do governo.
O deputado classifica as divergências da base política em relação às mudanças ministeriais como algo normal. Ele fez uma comparação com governo do ex-presidente Collor, que não conseguiu construir uma ampla base de apoio e não evitou o impeachment, em 1992.
FHC foi a São Paulo para participar das comemorações do 9 de Julho, data da Revolução Federalista, e de inaugurações. Uma manifestação contra a privatização do Banespa e também contra a política habitacional do governo paulista foi realizada ontem na frente do Complexo Cultural Júlio Prestes, dificultando a entrada dos convidados para a inauguração da Sala São Paulo.
FHC e o governador Mário Covas não viram o protesto, porque entraram por uma acesso lateral. Empresários, parlamentares e ministros utilizaram a entrada que destinada apenas à imprensa, já que dezenas de manifestantes e populares ocuparam a entrada principal da estação recuperada.

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