FHC altera fala para mostrar reação
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de setembro de 1998
Ariosto Teixeira Agência Estado 
Fernando Henrique mudou o formato do programa no horário eleitoral da tarde de ontem para discutir os efeitos da crise internacional sobre o Brasil. Foi a primeira vez que o tempo da coligação na TV não foi inteiramente tomado por uma entrevista.
Antes de uma entrevista com a presidente da Associação das Donas de Casa e Consumidores de Minas Gerais, Lúcia Pacífico, o programa mostrou manchetes e notícias de jornais sobre os esforços do governo para proteger o Brasil da crise. Foi noticiado que as medidas tomadas pelo governo, o aumento dos juros do Banco Central e o programa de cortes nos gastos orçamentários até o final do ano, como medidas firmes para proteger o Real e os ganhos da população diante da ação dos especuladores.
O programa não se limitou, como vinha fazendo, a apresentar o candidato Fernando Henrique Cardoso como o mais preparado para conduzir o País em meio a crise financeira mundial. Procurou responder aos ataques de Lula (PT) e de Ciro Gomes (PPS). Ambos insistiram nos programas de ontem que FHC não tomou as medidas necessárias para que o País pudesse enfrentar a crise mundial sem sofrer abalos prejudiciais à população.
Ciro Gomes inovou e começou a pregar o voto útil para garantir que a eleição se decida em dois turnos. Em tom cordial, ele disse que FHC tenta enganar a sociedade dizendo que a crise é só lá fora e que o candidato do PT diz que a crise é o fim do mundo. Para ele, as coisas não se passam desta forma, não são nem o fim do mundo nem um problema alheio ao Brasil. E, dirigindo-se ao eleitor, pediu uma chance para apresentar suas propostas para proteger o País da crise. Você precisa me dar uma chance de debater a minha proposta no segundo turno, tendo o mesmo tempo para falar que o tempo de FHC, apelou.
Já o programa de Luis Inácio Lula da Silva (PT) manteve a aposta na polarização da disputa com FHC. Um locutor leu um texto que atribui ao governo FHC a responsabilidade por uma crise brutal. As recentes medidas de defesa da moeda adotadas pelo governo, o aumento dos juros e o corte nos gastos do governo foram ridicularizadas e apresentadas como decisões que prejudicam a população e visam a aumentar o lucro dos especuladores.
Interlocutores de FHC consideram que o efeito da crise só chegará meses depois de terminada as eleições e, portanto, não influenciará no resultado de 4 de outubro. Embora seja alívio, esse assunto é considerado um tabu dentro da campanha da reeleição, mas a crise não deixa de ser analisada a cada minuto. (Colaboraram Gerson Camarotti e Cláudia Carneiro).


