O presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), agradeceu ontem em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, durante a inauguração da fábrica da Renault, os votos que fez no Paraná nas últimas eleições e reservou parte do seu discurso para criticar os pessimistas. ‘‘Como presidente, venho com um sentimento de agradecimento. Fui reeleito presidente em grande parte graças ao Paraná e aos eleitores paranaenses. Para alguém que se acostumou a viver em academias e, de repente, numa fase da vida se vê lançado na vida pública, encontro nesse povo generoso o reconhecimento ao me fazer pela segunda vez presidente do Brasil’’, disse.
Fernando Henrique mandou ainda um recado cifrado para a oposição e para os próprios aliados que comprometeram a proposta original do governo para a reforma da Previdência, o que está provocando reflexos nas negociações econômicas com o Fundo Monetário Internacional (FMI). ‘‘Deixemos passar à margem o Brasil dos que sussurram infames, dos que não compreendem a necessidade de uma decisão. Não deixemos nos envenenar pelo que eventualmente possa existir de não tão positivo, porque, na verdade, o imenso caminho que temos é positivo’’, declarou. O presidente falou para uma platéia de políticos e empresários.
Albari RosaFormalidadesLerner e FHC não conversaram sobre o possível ministério para os paranaenses: agenda sem políticaNo discurso, Fernando Henrique afirmou que ‘‘os momentos são difíceis, quem não sabe, até às vezes com alguns acidentes de percurso que vamos superar’’. ‘‘Temos confiança no futuro porque temos determinação, amor a esse País, que vai ser partícipe de da nova ordem mundial que começa a ser definida. Aqueles que puderem ter a aventura que tenho como presidente, de percorrer esse Brasil, que o façam. Apesar de todos os pessimistas, de todas as apostas pequeninhas, negativistas que torcem para que nada dê certo, nós vamos caminhando no rumo tranquilo de um País que se firma’’, assinalou Fernando Henrique.
O que o presidente deixou nas entrelinhas, o ex-coordenador de campanha e amigo pessoal, Euclides Scalco (sem partido), afirmou com todas as palavras. O presidente da Itaipu Binacional criticou os aliados e disse que faltou sensibilidade na votação. ‘‘Foi lamentável. Espero que em janeiro, o governo reapresente o projeto e que o Congresso tenha a sensibilidade para a sua aprovação’’, assinalou. Para Scalco, a postura da base governista no Congresso não é punível. ‘‘Os aliados têm que tomar consciência de que o Brasil precisa das mudanças. Caso contrário, entraremos em dificuldades enormes e o Brasil deixará de ser emergente’’, considerou.
O presidente ficou bem longe do assédio dos políticos ontem. Ele chegou às 11h25 no aeroporto Afonso Pena, em Curitiba, respeitando a agenda preparada pelo cerimonial do Palácio do Planalto. Ele não deu entrevistas nem no aeroporto, nem na sede da Renault em São José. A única manifestação pública de Fernando Henrique foi no seu discurso, que durou cerca de 15 minutos. O governador Jaime Lerner (PFL) foi um dos poucos políticos que teve acesso reservado a ele, no aeroporto. Os dois não falaram sobre ministério. Lerner achou melhor tratar do assunto em outra oportunidade.

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