FHC afaga aliados e põe fim à crise
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quarta-feira, 23 de julho de 1997
Agência Estado Brasília 
Agência Estado
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Injeção de ânimoLuís Eduardo: permanência no cargo e fortalecido depois do encontro com Fernando HenriqueO presidente Fernando Henrique Cardoso precisou fazer ontem um pronunciamento para reverter a crise política provocada pelas declarações do ministro das Comunicações, Sérgio Motta, à revista Veja desta semana. Pela manhã, o líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), ameaçou pedir demissão, desencadeando no Congresso um clima de tensão e revolta em outros partidos da base aliada, como o PMDB. O presidente censurou publicamente Sérgio Motta.
Fernando Henrique fez um elogio público à atuação dos partidos políticos que apóiam o governo. Enalteceu o trabalho de Luís Eduardo e afirmou que Sérgio Motta continuará no governo. Eu posso demitir quem eu quiser, disse. Mas não vou demiti-lo porque não quero, acrescentou. Como presidente do Brasil, não tomo decisões por impulso nem por amizade e o ministro Sérgio Motta tem um papel extremamente construtivo na área de comunicações.
Em rápida entrevista dada aos jornalistas no início da noite, o presidente mencionou a conversa que teve pela manhã com Luís Eduardo, para dizer ter certeza da permanência dele no cargo. Ele é a pessoa que fala por mim no Congresso Nacional, e que ninguém tenha dúvida a este respeito, declarou Fernando Henrique.
O presidente acrescentou que a permanência de Luís Eduardo na liderança do governo tem sido um fator de estabilização. É uma pessoa que goza da minha confiança, que se entende de uma maneira muito normal com as forças políticas e que honra a palavra.
Para contornar a crise, Fernando Henrique conversou com líderes de todos os partidos da base governista no Congresso. Ao desautorizar Sérgio Motta, o presidente afirmou que não admite críticas públicas de um ministro do governo a outro. Cada um deve se limitar a sua área, declarou.
No encontro com Luís Eduardo, quando o líder apresentou pedido irrevogável de demissão, Fernando Henrique apelou: Pelo amor de Deus, não me falte nessa hora. Presidente, eu esperei o dia inteiro que o senhor tomasse uma atitude; como o senhor não fez isto, não tenho como continuar na liderança do governo, rebateu Luís Eduardo. A atitude a que se referiu fora cobrada na véspera, pelo líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE). Chamar o ministro Sérgio Motta (das Comunicações) ao Palácio, depois de uma entrevista ofensiva e desastrada como a dele, é muito pouco, dissera Inocêncio.
Ao aceitar o cargo de líder no dia 3 de junho, Luís Eduardo impusera uma única condição: a articulação política na Câmara seria responsabilidade exclusiva sua e nenhum ministro teria o direito de fazer qualquer comentário sobre a base aliada. Não vim aqui para chantagear o governo, nem para pressioná-lo, continou o líder, na conversa com Fernando Henrique. Apenas não aceito que o Sérgio Motta represente a banda boa do governo e eu fique representando a banda ruim. O presidente solicitou tempo a Luís Eduardo e fez o que pôde para segurá-lo no cargo.
Fernando Henrique telefonou também para o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), para que o ajudasse no trabalho de convencimento do filho. Luís Eduardo deixou o Palácio do Planalto e foi direto para o gabinete do pai. Lá, foi comunicado do telefonema de Fernando Henrique, mas Antônio Carlos disse apenas: A decisão é sua.
O alvoroço tomou conta da base aliada. O líder do PFL previa o fim das reformas. Não se aprova mais nada com a base destruída, disse. O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), dava graças aos céus pelo intervalozinho de duas semanas de folgas, até a próxima votação das reformas. Se fossem votadas agora, não passariam, disse.


