Agência Estado

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Injeção de ânimoLuís Eduardo: permanência no cargo e fortalecido depois do encontro com Fernando HenriqueO presidente Fernando Henrique Cardoso precisou fazer ontem um pronunciamento para reverter a crise política provocada pelas declarações do ministro das Comunicações, Sérgio Motta, à revista ‘‘Veja’’ desta semana. Pela manhã, o líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), ameaçou pedir demissão, desencadeando no Congresso um clima de tensão e revolta em outros partidos da base aliada, como o PMDB. O presidente censurou publicamente Sérgio Motta.
Fernando Henrique fez um elogio público à atuação dos partidos políticos que apóiam o governo. Enalteceu o trabalho de Luís Eduardo e afirmou que Sérgio Motta continuará no governo. ‘‘Eu posso demitir quem eu quiser’’, disse. ‘‘Mas não vou demiti-lo porque não quero’’, acrescentou. ‘‘Como presidente do Brasil, não tomo decisões por impulso nem por amizade e o ministro Sérgio Motta tem um papel extremamente construtivo na área de comunicações.’’
Em rápida entrevista dada aos jornalistas no início da noite, o presidente mencionou a conversa que teve pela manhã com Luís Eduardo, para dizer ter ‘‘certeza’’ da permanência dele no cargo. ‘‘Ele é a pessoa que fala por mim no Congresso Nacional, e que ninguém tenha dúvida a este respeito’’, declarou Fernando Henrique.
O presidente acrescentou que a permanência de Luís Eduardo na liderança do governo ‘‘tem sido um fator de estabilização’’. ‘‘É uma pessoa que goza da minha confiança, que se entende de uma maneira muito normal com as forças políticas e que honra a palavra.’’
Para contornar a crise, Fernando Henrique conversou com líderes de todos os partidos da base governista no Congresso. Ao desautorizar Sérgio Motta, o presidente afirmou que não admite críticas públicas de um ministro do governo a outro. ‘‘Cada um deve se limitar a sua área’’, declarou.
No encontro com Luís Eduardo, quando o líder apresentou pedido ‘‘irrevogável’’ de demissão, Fernando Henrique apelou: ‘‘Pelo amor de Deus, não me falte nessa hora.’’ ‘‘Presidente, eu esperei o dia inteiro que o senhor tomasse uma atitude; como o senhor não fez isto, não tenho como continuar na liderança do governo’’, rebateu Luís Eduardo. A atitude a que se referiu fora cobrada na véspera, pelo líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE). ‘‘Chamar o ministro Sérgio Motta (das Comunicações) ao Palácio, depois de uma entrevista ofensiva e desastrada como a dele, é muito pouco’’, dissera Inocêncio.
Ao aceitar o cargo de líder no dia 3 de junho, Luís Eduardo impusera uma única condição: a articulação política na Câmara seria responsabilidade exclusiva sua e nenhum ministro teria o direito de fazer qualquer comentário sobre a base aliada. ‘‘Não vim aqui para chantagear o governo, nem para pressioná-lo’’, continou o líder, na conversa com Fernando Henrique. ‘‘Apenas não aceito que o Sérgio Motta represente a banda boa do governo e eu fique representando a banda ruim’’. O presidente solicitou tempo a Luís Eduardo e fez o que pôde para segurá-lo no cargo.
Fernando Henrique telefonou também para o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), para que o ajudasse no trabalho de convencimento do filho. Luís Eduardo deixou o Palácio do Planalto e foi direto para o gabinete do pai. Lá, foi comunicado do telefonema de Fernando Henrique, mas Antônio Carlos disse apenas: ‘‘A decisão é sua.’’
O alvoroço tomou conta da base aliada. O líder do PFL previa o fim das reformas. ‘‘Não se aprova mais nada com a base destruída’’, disse. O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), dava graças aos céus pelo ‘‘intervalozinho’’ de duas semanas de folgas, até a próxima votação das reformas. ‘‘Se fossem votadas agora, não passariam’’, disse.

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