FHC admite que desemprego é maior problema do governo
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sábado, 18 de julho de 1998
Por Wálmaro Paz Agência Estado 
O presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu, ao chegar em Porto Alegre, ontem pela manhã, que o desemprego está sendo o maior problema do governo. Porém, afirmou que não se pode atribuir ao Plano Real. Segundo ele, a causa principal do desemprego é a taxa de crescimento demográfico do País de 20 anos atrás, que foi de 3%, enquanto a taxa de crescimento industrial não chega, hoje, a 1,5%. Isso faz com que os jovens recém-chegados ao mercado de trabalho o encontrem saturado.
Ele anunciou, entretanto, que o governo tem os meios para atacar este problema, por meio de investimentos na agricultura, e lembrou que nunca se assentou tanta gente num só governo. Sobre investimentos para pequenas e médias empresas, FHC citou o Proger e a requalificação de mão-de-obra. Estamos investindo muito nisso, por meio do Fundo de Assistência ao Trabalhador (FAT). Somente no Rio Grande do Sul, 180 mil trabalhadores participaram desses cursosneste ano.
Fernando Henrique disse também que considera abusiva a proliferação de rádios comunitárias, hoje transformadas em verdadeiras rádios piratas, muitas delas fazendo propaganda política. O presidente declarou entender a importância das rádios comunitárias, mas afirmou que devem ser coibidos os abusos.
Questionado sobre as diferenças de preços dos produtos agrícolas dos países do Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul), ele afirmou estar a par do problema e ter tomado providências. Deu como exemplo o caso do leite, produto que os gaúchos denunciaram estar havendo dumping por parte do Uruguai. Neste caso, nós criamos uma taxa adicional.
Fernando Henrique chegou pontualmente às 11 horas ao Aeroporto Salgado Filho, onde foi recebido pelo governador licenciado Antonio Britto (PMDB) e os ministros da Agricultura, Francisco Turra, e dos Transportes, Eliseu Padilha. Em seguida, foi para o comitê da aliança Rio Grande Vencedor, formado para a campanha da reeleição dele e de Britto, onde concedeu uma coletiva à imprensa local. De lá, dirigiu-se, em carro fechado, até o Galpão Crioulo do Parque da Harmonia, onde concedeu outra entrevista coletiva e almoçou. Mais tarde, foi com Britto para o Gigantinho (ginásio de esportes do Internacional), onde era aguardado por 12 mil pessoas, segundo os organizadores. Os militantes eram quase todos do interior do Estado e foram trazidos para a capital em 250 ônibus fretados pela aliança.


